Regresso adiado!

Há muito tempo que me tinhas pedido para recomeçarmos tudo de novo, mas eu continuava a dar-te uma resposta no silêncio: “talvez… quem sabe, um dia! Ou talvez não; talvez nunca mais, talvez até nem volte a resultar”. Por não me sentir preparada para esse voltar ao teu lado; no vidro do carro num dia de chuva encontrei um pequeno pedaço de papel com a tinta já desbotada – devia estar ali há horas! -, que dizia: “volta”.

Sabia que era teu; estremeci. Guardei o pedaço de papel no bolso do casaco, meti-me no carro e segui para casa; à noite – quando menos esperava – toca o telefone: eras tu!

Viste o meu bilhete? – Perguntaste-me.

Disse-te que sim. Voltaste a pedir-me o mesmo. “Volta! Sabes que ainda te amo!”

“As coisas não são bem assim; não se começa tudo de novo como se troca simplesmente de peça de roupa” – Disse-te.

“Desculpa-me. Acredita que não te queria magoar” – Disseste-me.

“Mas magoaste, não com palavras, mas com gestos. Não é fácil perdoar”

“Dá-me uma oportunidade, por favor: só uma, para eu me redimir!” – Pediste-me assim sem mais nada.

“Preciso de pensar!”

“Porquê?”

“Porque há erros que não se podem repetir”

“O que tivemos foi um erro?”

A chamada ficou de repente em suspenso; toca a campainha, fico sem reacção, dividida entre abrir a porta ou continuar a falar contigo.

Abro…

Então, agora já me podes perdoar? – Disseste de sorriso doce estampado no rosto – Desculpa as flores virem molhadas, mas o que conta é a intenção.

Eras tu todo molhado, com um ramo de rosas na mão; olho-te nos olhos:

(De facto era bem verdade!) Não! O que nós tivemos não foi nem nunca será um erro.

O que eu fiz é que foi um valente acidente de percurso.

Beijamo-nos!

Agora sim estavas perdoado. E eu também te amava (na falta de coragem de to dizer…)


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