(Re)Encontros felizes!

A primeira semana da Ana no Porto correu bem, apesar das inúmeras saudades que tinha da família e do namorado. Ela e o Miguel telefonavam-se a toda a hora, trocavam cartas, e-mails e consecutivas mensagens escritas. Coincidência ou apenas puro acaso, a Ana começou a ouvir Apologize com alguma frequência não só no leitor de música que a acompanhava para todo o lado, mas também nas rádios. Aquela música parecia segui-la para todo o lado como se fosse a sombra do Miguel: acompanhava-a quando ela ia para a faculdade, quando estava a passear pelo centro comercial, quando estava com os colegas na esplanada e até quando estudava. Fazia-a pensar tanto nele…

Parecia já fazer muito parte deles, a Ana sorria sempre para si quando ouvia as primeiras notas do piano que abriam a música, e estremecia. Pensava no seu amado – as saudades que sentia dele aumentavam de dia para dia –, pensava nas memórias e recordações que guardava dele. Era tudo tão bom, tão positivo, tão especial, tão importante e tão único, que apesar de estarem separados e longe um do outro era quase inevitável não sorrir ao recordar tudo. Aquela música era realmente muito especial.

A semana do Miguel foi perfeitamente normal e mais ou menos boa; mas ao mesmo tempo diferente: solitária, infinitamente longa, vazia, as saudades da Ana ainda apertavam bastante, sempre que Apologize tocava fosse no leitor de música ou nas rádios, a dor que ele sentia era dilacerante.

Ainda ficou mais triste ao saber que a Ana; afinal não viria a Lisboa de fim-de-semana, por ter um trabalho de grupo para fazer. Ficou triste, desolado e desconsolado, era meramente impossível aguentar mais uma semana sem a ver, sem-lhe tocar, sem a poder beijar ou abraçar. Mas o que ele não sabia era que a Ana lhe estava a preparar uma surpresa sem ele estar à espera; ela sabia que nos primeiros dias ele gostava muito de ir passear até à estação de Santa Apolónia aonde a separação entre os dois tinha acontecido e ia precisamente aproveitar isso.

No final da semana – Sexta-feira à tarde –, Joana tratou de arranjar maneira de o Miguel ir dar o seu passeio habitual até à estação, a Ana precisava mesmo que a mãe lhe garantisse que ele ia. E ele foi mesmo até lá, sentou-se no mesmo banco de sempre: o banco aonde tinha estado sentado com a Ana, uma semana antes, pegou no leitor de música, colocou os auscultadores e ali ficou sentado sempre de costas para a linha férrea.

Impávido, sereno e em completo silêncio, chorava quase sempre ao recordar os momentos duros, dolorosos e difíceis que tinha vivido naquele lugar, quando se despediu e separou da sua princesa. Estava tão concentrado nas músicas que estava a ouvir e nos seus pensamentos que nem reparou no comboio que acabava de chegar e que trazia uma grande surpresa para ele…

A Ana já estava de pé no comboio e de malas na mão, pronta para sair; olhava pela janela, feliz e radiante à procura da outra metade do seu coração, mas não via nenhum sinal do Miguel. Estava ansiosa por abraçá-lo.

Saiu do comboio e enquanto percorria a zona de embarque reparou num rapaz sentado num dos bancos, de costas para ela, parecia mesmo, mas não tinha a certeza, aproximou-se lentamente dele, para que ele não se apercebesse da sua presença. E sentiu aquele aroma adocicado do perfume dele, do mesmo perfume que o Miguel costumava usar, ficou logo tentada a fazer qualquer coisa, a correr em direção àquele rapaz, a abraçá-lo e beijá-lo intensamente de imediato, mas decidiu não fazer nada. E se não fosse mesmo ele?

As precipitações nunca davam muito bom resultado, preferiu arriscar e aproximar-se um pouco mais dele e reconheceu-o logo, era mesmo ele: reconheceu o respirar, o pensar, a maneira de agir e estar, ficou excitadíssima e eufórica aproximou-se ainda mais dele até ficarem quase encostados um ao outro e vendou-lhe os olhos com as mãos, ele assustou-se e sobressaltou-se de imediato, tirando os auscultadores dos ouvidos e deixando o leitor de música ligado permitindo à Ana ver a música que ele estava a ouvir: Apologize.

Ana sorriu e gritou de seguida com boa disposição e entusiasmo:

– Surpresa!!!!

– Princesa? Não acredito! – Disse ele mostrando-se muito feliz, surpreendido e emocionado, destapando de imediato os olhos e virando-se para trás.

– Por esta é que tu não esperavas, pois não? – Disse-lhe ela muito sorridente.

Ele ficou embasbacado e estático a olhar para ela: a vê-la ali em carne e osso ao seu lado, nem sabia o que havia de dizer ou fazer. Apetecia-lhe fazer tanta coisa naquele momento: correr para ela, abraçá-la, beijá-la, mimá-la…

– Podes crer! Que bom, estou tão contente por te ter de volta; nem acredito que estás mesmo aqui à minha frente, parece um sonho. – Disse ele muito emocionado levantando-se do banco, pegando na mão dela e ficando a olhá-la durante alguns minutos: pensando na beleza que transparecia dela, acariciando o seu rosto, enquanto ela fechou os olhos e se deixou envolver pelo toque da mão dele, e divertindo-se a fazer caracóis com os dedos no cabelo dela. Depois abraçou-a de lágrimas nos olhos, deixando-se envolver pelo perfume dela, pela sua pele doce e suave.

Ambos tinham saudades daqueles abraços apertados que só eles sabiam trocar, ficaram ali abraçados durante imenso tempo; há uma semana que Ana não sabia o que era abraçar alguém que amava tanto. Estava mesmo a precisar daquele reencontro, de sentir o Miguel nos seus braços, as suas mãos masculinas, fortes e robustas a percorrerem o seu rosto e o seu corpo. Ouvir a sua voz, ver o seu sorriso e o seu olhar doce, profundo e intenso: solar. Beijaram-se… sem tempo, sem haver um amanhã. Emocionaram-se, amaram-se e parecia que se tinham voltado a apaixonar um pelo outro.

PORAna Ribeiro
FONTEEscreviver
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