Rasga-se o céu e somos apenas amor!

Há relâmpagos no mar. Eu oiço-os com veemência, com ousadia, e tremo de medo.

As trovoadas que pairam no céu assombram a minha alma, sem eu ter pedido.
Sinto-me atordoado, sinto-me cansado, sinto-me fatigado. E temo não ter mais forças.
Mas, ao longe, vejo uma luz, talvez um farol. Um sinal de esperança,
Um sinal para poder voltar à vida, para voltar a amar como eu sempre desejei.

Mesmo que a escuridão se apodere desta miragem de terra, foi posta uma luz.
Foi posta uma luz para me guiar, para contrariar a raiva dos oceanos,
Para um dia te poder dizer tudo aquilo que eu adorava ter-te dito.
O cais espera-me, a tua luz espera-me. E eu tenho de lutar, eu tenho de nadar,
Eu tenho de mergulhar por entre as ondas, para afastar todos os meus fantasmas.

As nuvens afastam-se, o céu grita de calor, o mar acalma.
As lágrimas continuam a cair no meu rosto, desalmadamente. Mas nenhum ruído oiço.
Não oiço o bater do teu coração. Muito menos a tua respiração.
O que se passou? O que aconteceu? Cheguei tarde demais?
As lágrimas continuam a escorrer. O sangue que se esvai em mim começa a salpicar a terra seca.
Eu não tenho mais forças, eu não tenho mais forças. Quem sou eu sem amor?

Olho para o céu, vejo uma estrela cadente e, num percalço, caio para dentro de água.
Fui ter ao teu encontro. Aonde tu estás. Aonde o amor pode acontecer.
Adeus, vida. Olá, amor.