Quero ser livre e poder voar nas asas do vento…

Quero ser livre, e poder voar nas asas do vento. Quero mais do que aquilo que tenho, mesmo que o que tenho seja muito. Preciso que entendam que já sou adulta, não uma criança, que não tenho 15 anos e estou à procura da vida, mas sim 22 anos e quero viver a vida. Quero ser livre para sair sem ter hora para voltar, conduzir toda a tarde com as janelas abertas sem a preocupação de uma mensagem da minha mãe a perguntar-me onde estou, com quem e a fazer o quê.

Quero não ter que cancelar todas as minhas saídas porque a minha mãe está a dormir ou acordou de mau humor, porque imagina que eu, mal saio pela porta por onde volto a entrar todas as noites, me transformo em alguma criatura da noite desgovernada, de minissaia curtíssima, a tresandar a tabaco, a conduzir a 180 na marginal, tão bêbeda que mal consigo ver o que está à minha frente.

Não quero ter que me apressar constantemente, de olhar para o relógio sempre com medo que passe a hora de voltar. Não quero piadas ou comentários sobre com quem saio ou para onde.

Se houve confiança para testes escolares, para fazer recados para familiares, então deve haver confiança nas minhas saídas, pois elas são apenas bons momentos com os meus amigos, não rituais satânicos de adoração do oculto, cheios de medicamentação ilegal, num beco qualquer, do outro lado da ponte. São as casas que conheço, as ruas onde cresci, os amigos do costume. E é só isso que eu quero: longos passeios em noites de Verão, comer gelados às dez na noite, rir em voz alta até me doer o estômago, nunca olhar para o relógio, nunca ter medo de encontrar a porta trancada ou as malas feitas, saber que existe confiança nesta relação de pais e filhos, e não me sentir culpada por qualquer género de crime que os meus pais acham que cometo sempre que quero sair.

Se houve orgulho nas minhas notas, nas minhas conquistas, então deve também haver orgulho, e não censura, nas minhas opções, na minha escolha de poder ser livre. Não é não ter respeito, bater com a porta depois de berrar “vou sair!”, ou enviar uma mensagem às cinco da manhã, carregada de álcool, e dizer “vou dormir em casa de fulano tal”, ou mesmo desaparecer sem aviso prévio, horas a fio, com dinheiro roubado de uma carteira. Ser livre é ter respeito, mas continua a ser ser livre.

PORAna Laura
FONTEAna Laura
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