Querida Mãe

Olá mãe! É com vinte anos que consigo, finalmente, escrever algo para ti! Anteriormente não o fiz porque a dor era tanta que me consumia completamente. Tenho imensas saudades tuas e às vezes parece que não irei aguentar.

Perdi-te há oito anos e revivo o momento em que soube da tua partida, como se fosse ontem. As lágrimas de toda a família e os gritos de desespero da avó por ter perdido a filha querida que ela tanto amava. Eu ri-me, quando virei costas aquele cenário horrível.

Fui das poucas que percebi que partiste porque era o melhor para ti. Já não conseguias aguentar mais dores no corpo e nos últimos dias de vida era só o teu corpo que estava presente. Para mim, partiste no dia em que não me conheceste, não conhecias a tua própria filha.

Foi o pior momento da minha vida! Morri por dentro quando tu morreste. Fui contigo, não sei bem para onde, mas andei perdida durante anos. Achei injusto me terem tirado a pessoa que mais amava no mundo. Fiquei revoltada porque toda a gente sofria e ninguém se lembrou que eu era uma miúda de 12 anos a deparar-se com a morte pela primeira vez.

Agora vejo tudo de uma maneira diferente! Acredito que partiste na altura em que tinhas de partir e preferi assim, pois estavas a sofrer e eu vi várias vezes o que sofrias. As lágrimas que derramaste tantas vezes por causa das dores.

Hoje és a força que me ajuda a levantar todos os dias e quem não me deixa desistir! E sabes bem que eu penso muitas vezes em desistir! Bem sabes, aí em cima,  o esforço que faço às vezes para me levantar! Mas também vês que sou forte e que o meu sorriso está sempre presente aconteça o que acontecer.

Amo-te e tenho tantas saudades de nós que quando eu for mãe vou passar as memórias para os meus filhos e vou ser tão boa mãe como tu!

PORDaniela Pereira
Partilhar é cuidar!

PELA WEB

Loading...