Querida Helena!

Nunca fui bom em demonstrar sentimentos. Talvez porque construí uma muralha de gelo para me proteger, mas a verdade é que não mostro muito do que sinto. Sou bom numa coisa: na escrita e pensei para mim mesmo – tenho de deixar algo que a Helena recorde, algo que a tente ajudar – por isso resolvi escrever-te.

É incrível como dias podem significar tanto, como em poucas horas conseguimos fazer um desenho da pessoa que está diante de nós. É admirável o modo como nos conseguimos identificar com alguém tão depressa.

Sinceramente queria poder nos definir numa palavra. Uma só, uma que desse sentido a toda essa gigantesca aglomeração de coisas boas e ruins que temos. Sei que não somos o tipo de pessoa perfeita – não somos, mas acho que não é isso que queremos, não queremos ser a Barbie nem o Ken, queremos que nos vejam como somos e nos aceitem – nós não conseguimos levar as coisas em linha reta, acabamos sempre por desviar sempre para outros lugares, outros sabores, outros cheiros, outros olhares, temos um espirito livre que precisa ser alimentado.

Além de tudo não consigo enganar-me e confesso que lá no fundo do meu peito eu sei que somos ridiculamente uma pessoa perfeita. E depois de revirar todos os dicionários e enciclopédias nessa minha alucinante aventura à procura da palavra exata para nos definir, estava lá, estampado exageradamente na primeira página para que todos pudessem ler: Amor.

Somos Amor! Somos o resultado da perda, somos o resultado de amar demais, somos o resultado de amar sem ser correspondidos. Somos tudo aquilo que fizemos e a outra pessoa não merecia. Somos o melhor de nós porque lutamos na ânsia de ter os nossos sonhos tornados realidade.

Deixa-me contar-te um de muitos segredos que guardo. Não podemos nos acostumar com presenças. As pessoas tendem a partir para o infinito quando tê-las nas nossas vidas deixa de ser um hábito e passa a ser uma necessidade.

O amor é como a física quântica. Um corpo em movimento acompanha o outro, e ambos mantém-se em perfeito estado caso estejam na mesma velocidade. Parece uma comparação ridícula. Deves estar a pensar que não passo de mais um maluco doido pela física. Eu explico! Numa relação quando um não consegue acompanhar o outro deixa de haver sincronia, deixa de haver estabilidade e ambos ficam em níveis de energia diferentes.

Tenho um romantismo barato e uso palavras repetidas. A minha mão quente e o meu tom suave vai-te desejar algo: espero que alguém aceite a tua parte marginal e te conserte. Espero que alguém receba o teu amor e te dê estadia no seu coração.

Espero que um dia alguém devolva o brilho no olhar que acredito teres, alguém que te faça feliz. Alguém que busque a perfeição que guardas no coração.

Talvez um dia vás acordar, debruçar-te sobre a cama, pegar na tua câmara e fotografar o amor da tua vida a dormir, a vida é assim: então de repente, vem aquela pessoa, quando menos esperas e deixa-te a sorrir.

O nosso coração transborda amor. Sempre procuramos alguém para compartilhar esse sentimento tão bonito que sobra dentro de mim e de ti. Quando te conheci, fiquei contente porque conheci alguém como eu, alguém com muito amor para dar.

Estás a sofrer porque faltou interesse. E não foi da tua parte.

A vida é mágica, por mais estejamos tristes, temos sempre um coelho de alegria para tirar da cartola, tens uma missão: tirar o teu coelho e ser feliz!

As despedidas custam. Talvez seja um cobarde ao deixar-te ler esta carta sozinha, mas partir custa muito.

Foi um prazer enorme partilhar estes dias e horas contigo. Obrigado pela tua amizade.

Não te esqueças: sê feliz!

Quando estiveres triste sorri, sem medo, sem vergonha, sorri e se mesmo assim continuares triste lembra-te que tens alguém num ponto do planeta com uma palavra carinhosa para te oferecer.