Querida ex-sogra…

Ana, – desculpe a informalidade, mas acho que tenho intimidade suficiente para chama-la assim – perdão por sumir e nunca lhe agradecer por tudo que fizeste para mim. Embora não tenha dito, saibas que foste uma segunda mãe para mim. Não a mãe que eu queria, mas a mãe que eu precisava.

E hoje, mesmo com a distancia que nos separa, em meu peito você tem um lugarzinho especial. E não, você não conquistou esse lugar com suas maravilhosas costelinhas de porco, poderia, mas não foram elas. Cativaste meu peito pela simplicidade em levar a vida; a sinceridade na ponta da língua; a determinação para conseguir teus objetivos; por ser uma mulher de fibra e ao mesmo tempo sensível; por me dar aquele presente de 1 metro e 48 centímetros em forma de pessoa. Você contrariou a lenda popular de que sogras foram feitas para infernizar a vida dos genros. Em meu inverno você foi primavera.

Foram seis meses que me pareceram anos e anos de aprendizado. Você e sua menina foram um marco na minha vida tanto que posso dividi-la entra antes e depois de vocês. Foram vocês que abriram meus olhos para a vida e sou eternamente grato por isso.

Infelizmente o “para sempre” meu e da sua pequena terminou antes do que eu imaginava. Colocamos ponto final na nossa historia por medo de mancha-la ainda mais. Optamos por manter intactas as lembranças dos bons momentos. Entre eles me lembro do dia em que te conheci. Eu estava morrendo de medo em não causar uma boa impressão. E você desmanchou esse medo quando me abraçou e me deu as boas-vindas. Eu não sabia, mas aquela seria minha casa por longos meses.

Passei a te admirar à medida que te conhecia. Você foi pai e mãe. Dona de casa e quem colocava comida na mesa. Mulher que enfrentou o mundo do alto dum salto agulha. E só ao perder vocês duas é que percebi a sorte que tive em tê-las na minha vida, mesmo que por um breve momento.

Não me permiti à dor da despedida. Pensei ser melhor assim. Não sou bom com despedidas, nunca consigo expressar exatamente aquilo que sinto. Mas saibas que tenho um carinho enorme por ti, proporcional a distância que nos separa.

Estou caminhando com minhas próprias pernas, como você sempre disse que eu deveria. Saí da barra da saia de minha mãe e fui conquistar o mundo, junto levo um pouco de ti.

Estou torcendo por vocês. Que no fim tudo dê certo. Pois sei dos teus tropeços e do quanto é difícil seguir em frente, com tantos motivos para desistir. Te desejo toda sorte do mundo e alguém que ame sua pequena tanto quanto eu.


PELA WEB

Loading...