Queria voltar atrás

Palavras que são usadas e proferidas em vão. Muitos dizem que um gesto vale mais do que mil palavras, eu, porém, considero que uma palavra e um gesto têm o mesmo valor. O que importa é que seja possível exprimir e demonstrar aquilo que te pesa na alma e no coração. As primeiras memórias de sentir felicidade foram tuas – tu foste o protagonista – isto é, foram de uma das pessoas mais importantes na minha vida. O que antes era bom ou tolerável, agora torna-se doloroso e insuportável.

Sempre achei que a frase “a relação está desgastada” era apenas uma desculpa usada pelas pessoas que estavam fartas de ter um compromisso. Hoje entendo que não. A impaciência, a irritação e o cansaço somam-se, sem nunca se dividirem ou subtraírem-se e, quando acordas, apercebes-te que já não sentes nada pela pessoa que está contigo.

É triste saber que tens alguém mesmo ali ao teu lado, que precisa de um abraço ou carinho, e ficas bloqueada. De repente constroem-se muros e muralhas à tua volta, ficas suspensa sobre gelo quebradiço e, por muito que tentes, nunca consegues lá chegar.

Os erros nunca são cometidos apenas por uma parte. Sou da opinião de que quando as situações não correm bem ou encontram muitos percalços pelo caminho, que o problema é de dois e não de um. Sempre que eu tentava arranjar uma árvore para subir e saltar por cima do muro, tu fugias com medo. Sempre que tu ficavas destemido, a minha árvore ia ficando sem ramos e o gelo quebrava ainda mais.

Com o tempo e o crescimento, apercebi-me que, mesmo assim, conseguíamos comunicar. Tínhamos um meio que era utilizado para atingir um fim. Alguém que gostaria de ver as duas partes unidas, um amigo. O único problema é que as frases e os sentimentos perdiam-se pelo caminho, depois com a irritação eu ou tu, acabávamos por dizer coisas que magoavam o intermediário. De tanto sofrer, acabou por se fartar e desistiu de nos ajudar.

Os anos passaram e esta situação foi-se agravando, estamos agora no chamado “ponto sem retorno”. Eu já não quero subir mais e tu cansaste-te de ser destemido. Ficamos assim então. Umas vezes gritamos umas palavras, na esperança do outro adivinhar os nossos pensamentos e compreender aquilo que queremos dizer. Mas isso não acontece. Fiquemos assim então.

As nossas relações não vêm de agora, são já muito antigas e repletas de histórias. Se fosse possível, gostaria de retroceder no tempo, voltar ao ponto de origem e modificar todos os atos, palavras e sentimentos. Queria mudar o nosso destino, torna-lo melhor e oferecer-te embrulhado com um laço cor de rosa, em jeito de prenda, para que dele pudesses desfrutar. Mas isso não é possível. Irei continuar sem perceber o mal que te fiz ou o mal que me fizeste. Ambos erramos.

Erros não podem ser apagados com uma borracha e esquecidos, é tudo aquilo que nos persegue durante toda a vida, aparecem constantemente para que possas provar que cresceste e que os conseguiste superar, aprendendo algo com isso. O problema é que os nossos erros são demasiado antigos para serem compreendidos. Já atingi o ponto crítico, em que faço uma regressão e distorço as palavras ditas, as ações feitas e os sentimentos vividos. O que antes foi um “Gosto de ti”, agora é um “Odeio-te”. O que te causava alegria, agora provoca raiva.

Isto dói. É verdade. Mas não viver porque continuas agarrada ao passado e deixas o presente escapar por entre os dedos, dói muito mais. O conselho que posso dar é: não te prendas aos medos, às coisas menos boas e negatividade. Liberta-te, sê tu mesma, dá o melhor e o pior de ti e aceita isso dos outros. Cada um tem os seus motivos para ser ou agir assim. Tens que saber ler nas entrelinhas e captar apenas a mensagem final. Tens que viver e aprender.