Queria odiar-te!

Mas eu não consigo.

Eu não consigo. Queria odiar-te para ser justa com o meu coração que tu pisaste como se fosse as folhas secas no outono. Por mim não te via mais, mas estás constantemente aparecer.

Vi-me a fazer de idiota tantas vezes diante de ti que odiar-te seria o mínimo, mas eu não consigo. Tu sabendo como sou, vais ver, eu não sou do tipo que carrega sentimento negativo de alguém, sei lá. Não sei explicar, só sei que queria te odiar.

Queria odiar-te por tu pensares que a vida acontece do jeito que queres. Queria  odiar-te por  me deixares tanto de lado na tua vida. Queria odiar-te por me tornares prioridade só quando te apetecia. Queria odiar-te tanto. Eu já disse que queria odiar-te?

Queria  odiar-te porque, quem sabe assim, eu conseguiria aliviar as dores que me causaste, dos dias que que dormi mal pelas nossas discussões ridículas, das coisas horríveis que me disseste, do jeito horrível que me tratavas. Não é que eu não tenha errado em nada, errei muito também, , pelo menos eu teria algo  que justificasse minha frustração.

Só que eu não consigo odiar-te. Nem sentir raiva. Não consigo transformar o sentimento bom que cultivei por ti em algo horrível de sentir. Não consigo trocar os dias positivos pelos negativos. Mas acho que nada disto precisas saber, porque eu não quero fazer-te pensar que sou refém da tua pessoa ou do sentimento que adquiro por ti.

Queria odiar-te, mas eu não consigo sequer deixar de te amar. Então eu vou acabar aprendendo a lidar com essa sensação estranha. Não me resta outra alternativa a não ser aprender a conviver com essa dualidade que é querer sentir algo mau por alguém que senti algo tão bom. Não vai mudar, mas o tempo vai passar. Queria odiar-te, mas não consigo.

PORVanessa Tusto
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