Quem me disse que amar-te era fácil mentiu!

Como é que chegamos a este estado? Como?

Como é que estamos os dois tão partidos e tão destruídos por dentro? Como é que nos arruinamos desta forma, como é que deixamos que os ciúmes nos corroessem tal como veneno nas veias? Como é que amarmo-nos fez isto? Foi por nos amarmos demasiado ou por não nos amarmos suficiente? Somos os nossos próprios monstros.

Merda, isto é tão intenso. Quero crer que o problema é sermos infantis e isto ser tão forte: nenhum de nós estava preparado para um amor tão desgastante. Não estávamos preparados para termos que nos entregar tanto e para recebermos tanta entrega um do outro. É isso. Foi isso.

O amor e o ódio são os sentimentos mais fortes e a linha que os separa é demasiado ténue: às vezes, estamos de um lado e, no momento seguinte, mesmo na fronteira, prontos para cedermos à raiva, à dor e à mágoa. É isso que nos aconteceu e aconteceu. Odeio porque te amo e odeio porque me magoas por me amares tanto. Demasiado. O nosso problema é sermos os dois “demasiado”. É não termos meio termo. É sermos os dois oitenta num mundo que vive a oito.

E, agora, aqui estamos. Outra vez. Tu a gastar os punhos e as paredes de casa, deixando os nós dos dedos ensanguentados, cada murro uma descarga de energia e eu, deitada na cama, a gastar o stock de lenços. “Cada um tem a sua forma de lidar com os problemas”. Porque é que tinhas de ser o meu problema? Aqui está algo a que até sei responder: porque, infelizmente, também és a minha solução. É uma pena que, por vezes, amar demasiado seja o que torna tudo o resto insuficiente.

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