Que estes 100 fossem os seus!

Querida Avó,
Antes de qualquer coisa só espero de coração que onde quer que se encontre, que esteja bem, nada mais que isso merece.

Hoje é a centésima vez que me digno a libertar a alma através deste vulgar teclado.

100 eram os anos que eu gostava que tivesse vivido, que tivesse ficado por cá, pelos meus dias e pela minha vida.
Por um grande número, um grande obrigado.

O quanto merecia que lhe agradecesse todos os dias, que a lembrasse que se não fosse você eu não estaria aqui, que se sou uma mulher feita hoje, que lhe escreve, a si o devo, a cada suspiro.

Gostaria de ser possível fazê-lo sentada novamente no seu colo, a acariciar-lhe a cara e a mexer-lhe nos seus brilhantes e bem tratados cabelos brancos.

São inúmeras as vezes que penso em como estaria orgulhosa de nós os dois, dos meninos que criou, daqueles que tantas dores de cabeça lhe deram, daqueles a quem transmitiu os melhores princípios e valores.

Como seria se assistisse a ver a família crescer da maneira que tem crescido estes anos? digo-lhe que os seus bisnetos estão a aumentar a uma velocidade significativa.

E quando fosse eu? Como seria quando me visse a sair de casa e só voltar aos fins-de-semana? Como seria ver-me crescer assim?

Perguntas às quais sei que nunca vou ter resposta, questões que não passarão disso na minha vida. resta-me manter-me fiel ao que me foi ensinado e deixa-la orgulhosa de cada passo que dê.

A si, que foi uma avó exemplar mas aquela que também foi minha mãe, minha amiga e minha fiel companheira, com quem dormi muitos anos, eu tenho agradecimentos do tamanho do mundo.

Sobre si não há muito mais a dizer além do bom, de que é um exemplo de Mulher, de que é um coração de ouro e que me deixa muitas saudades.
Saudades que doem, que atormentam por me ter deixado vazia em plena pré-adolescência. Lamento não ter sido mais tarde, para aproveitar cada dia consigo mas também para ser mais capaz de sentir, e de forma mais madura o que seria perder quem sempre foi o meu ponto de abrigo, o meu melhor.

De algum modo apaziguei as saudades e mandei para longe as lembranças do dia em que sabia que a ia perder, em que a ambulância entrou em nossa casa, sim, nossa pois de algum modo pertencia-me um pouco pelos anos que lá vivi.
E ainda que isto não chegue a nada daquilo que merece, algures pelo que é inexplicável e além da vida, eu sei que sorri, que estará orgulhosa aqui da pequena e que não haverá um segundo que não cuida de mim, como o fazia aqui, só desejo que o bem esteja consigo e consequentemente você comigo, pela eternidade meu anjinho da guarda.

a eterna neta agradecida.

PORSimple Soul
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