Que ela exista!

Depois de tantas relações que só fizeram calejar meu coração cansei de procurar alguém que talvez nem exista. Mas espero que no armário de panelas da vida eu não seja uma frigideira; peço a Deus que a tampa da minha panela esteja por aí e que ele cruze logo nossos caminhos.

E quando ela chegar que eu não a veja como outra qualquer. Que o medo de recomeçar não seja maior que minha esperança de ser feliz. Que meu coração, que mais parece uma colcha de retalhos, saiba reconhecê-la.

Que ela venha para ficar, pois minha coleção de desamores aumenta na mesma proporção que o dólar comparado ao real. No atual mercado de relacionamentos a realidade é cruel. Se uma relação não obtém “lucro” instantâneo, ambas as partes terminam e logo se lançam ao mercado em busca de outros  “amores” com potencial de ganho imediato. Encontrar um investidor com paciência para construir uma relação e obter lucros de longo prazo é raridade. A realidade é que relações não passaram de negócios especulativos cujo objetivo é lucrar o mais rápido possível. Nada parece sacia-los. São pessoas lançando suas expectativas umas contra as outras, numa busca desenfreada pelo amor da sua vida. É a corrida do ouro sentimental em que se mata para amar.

Após não me identificar com o cenário atual comecei a acreditar que o problema estivesse em mim. Eu que busco alguém que compreenda minhas imperfeições. Eu que busco a sorte dum amor tranquilo, sem declarar guerra a todo instante para merecê-lo. Alguém que entenda meu gosto peculiar por sorvete de maracujá. Que nos veja como o melhor programa possível. Procuro uma pessoa, só uma, entre bilhões de pessoas, que escolha passar o domingo ao meu lado. Alguém que tenha paciência para tornar nós num investimento sólido e rentável. Que não desista na primeira crise. Alguém que tenha tantas manias quanto eu, para compreender que, assim como eu, é única.


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