Quando penso em ti…

Quando penso em ti penso nas nossas manhãs, tardes e noites a fazer coisas que sempre me disseram que uma senhora com honra não faz. Que se lixe a honra, é tão melhor ter o que nós temos. Penso no riso que só tu consegues arrancar de mim quando estou a chorar baba e ranho por alguma coisa que nem me deveria afectar. Penso nas coisas novas que me mostras constantemente quando até te ter conhecido achava ser impossível alguém surpreender-me e, ainda mais importante, ensinar-me. Mas penso sobretudo nos maus momentos em que nem tu nem eu ficámos sozinhos, porque quando um foi abaixo o outro esteve lá sempre para o puxar para cima, e acho que essa tem sido uma boa estratégia para nos irmos aturando.

Quando penso em ti penso numa casa só nossa para os nossos disparates e loucuras temporárias e para quem nos apeteça convidar para estar connosco aos domingos. Penso no dia em que vamos finalmente poder discutir ferozmente sobre a cor da parede do quarto ou a marca da televisão da sala, porque eu sempre fui do contra e tu sabes manipular essa minha mania melhor do que ninguém. Tu, ao contrário de muitos, sabes que comigo às vezes se queres ir para cima deves começar por sugerir ir para baixo e talvez seja por isso que eu ainda não me consegui fartar de discutir e fazer as pazes contigo vezes e vezes sem conta, mesmo quando me irritas. E irritas, acredita!

Quando penso em ti penso em dois filhos, não sei se duas raparigas ou um casal. Mas com os teus olhos lindos de três tons diferentes que fizeram com que eu quisesse um segundo encontro e o meu sorriso que fez com que não desistisses de mim quando eu fingi não querer. Com a tua bondade do tamanho do mundo para recompensar quem os tratar bem e a minha frieza para lidar com quem os tratar mal. Com a tua obsessão por família e a minha obsessão por trabalho para que saibam balançar as duas e consigam ser verdadeiramente completos. Com a tua humildade para admitirem os seus erros e com a minha arrogância para nunca deixarem que ninguém lhes diga que são fracos por cometê-los. Com o teu jeito para o trabalho e o meu jeito para os estudos. Ah, e com a minha sorte fora de série, pode ser? Sei que ser o azarado da família vai ser um bocadinho difícil, mas depois nós ensinamos-te umas coisinhas, prometo.

Quando penso em ti penso que, se me obrigassem, conseguiria viver sem ti e eu sei que tu sem mim também, mas não seria a mesma coisa, não teria a mesma piada. Apesar de os dias não serem todos cor-de-rosa, não te trocava, com todos os teus defeitos e todas as tuas falhas, por alguém perfeito de cima a baixo. Até porque seria uma chatice… Já imaginaste alguém perfeito? Que aborrecido! Pelo menos contigo posso gozar à grande de vez em quando por errares em coisas que para mim são básicas. Divirto-me imenso, obrigada por seres quem és.

PORRaquel Simões
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