Quando Eu Percebi…

Foi há noite, como sempre. Após três meses a tentar esquecer que tu existias, apareceste-me numa rede social. O meu coração parou. Por momentos deixei de respirar. Vieram-me mil memórias à cabeça. Senti logo as lágrimas nos olhos. Controlei-me.

Não consegui ficar indiferente. Cliquei na tua fotografia na esperança de poder ver um pouco da tua vida durante estes três meses sem uma única notícia minha. Não consegui. Sem pensar pedi para ter permissão para eu ver a tua página. Cometi esse erro. Fui fraca em não conseguir resistir. Tenho um coração apaixonado e burro às vezes. Tu aceitaste. Foi quando vi tudo.

Sentei-me e chorei! Chorei como quando foste embora. Como quando saías da minha vida sem nenhuma explicação. O meu coração partiu mais um pouco. O pouco que tinha recuperado. Tu estavas ótimo. Não tinhas sentido a minha falta. Nem sequer te tinhas lembrado de mim. Uma única vez. Entendi então que o sacrifício que estava a fazer de ter “desaparecido” estes três meses não valia de nada se tu não soubesses o que eu estava a passar.

Não resisti. Fui fraca. Entrei em contacto contigo. As minhas palavras foram simples e claras: “Não entendo como me marcaste desta forma. Não percebo como me agarrei tanto a ti. Não sei o que fizeste. Partiste-me o coração demasiadas vezes e por isso te estou a escrever. Tenho de te dizer adeus. Depois do que eu mudei em mim por ti e a tua desvalorização. Depois de tudo o que eu me disponibilizei a fazer por ti, desde a ir viver para outra cidade. Tenho de te apagar da minha vida de vez mas quero que tenhas na tua consciência que ninguém fará por ti, o que eu poderia fazer. Despeço-me de ti com lágrimas de quem quer ficar. É a minha última humilhação”.

Sabia que ias responder. Óbvio que sim. A tua resposta foi ridícula: “Porque é que temos que deixar de nos falar? Penso que não é necessário. Também não sei o que fiz para te marcar. Contigo não resultou, como não resulta com ninguém porque, comigo nada resulta”. A minha resposta foi um conselho. E foi aí que percebi. Tu transformas tudo para que sejas o centro das atenções. Tudo gira à tua volta. É ridículo. Tu na verdade nunca estiveste preocupado com o meu coração partido. Estavas preocupado contigo e tentavas que eu te arranjasse respostas para interrogações que nem tu próprio sabias que existiam.

Estes anos todos pensei que eras incrível. Na verdade não vales nada. Não te preocupas com o bem-estar de ninguém. Ou melhor, preocupaste com o bem-estar daquelas que vão à tua beira no bar ali da esquina não é verdade? Com essas não te precisas de preocupar porque elas nem sequer sonham o que é um coração partido. Egoísta. Se me perguntasses qual era a palavra que te definia agora, eu responderia egoísta. Pena que levei dois anos a perceber.

PORDaniela Pereira
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