E se puderes, fica só mais uma vida a meu lado.

Lembraste daquela vontade de ficar mais um bocado? Não querias largar o meu abraço porque a noite ainda era uma criança e nós queríamos ser adultos, fazia sentido e ainda faz.

Ainda fazemos sentido dentro do pouco sentido que a vida tem, ou deixa ter.

Tinhas milhares de mundos a teus pés, eu sabia disso e tu também. Eu não tinha um mundo, nem tinha nada na verdade, tinha apenas uma infinidade de medos e de paranóias dos quais não me conseguia libertar.

Tomaste conta de mim, sem saberes, é certo. E eu achei que fazias parte de mim, de uma forma ridícula e completamente infantil eu achei que me pertencias, só a mim e a mais ninguém. Nunca me disseste que sim, e eu com tantos medos e paranóias optei por não questionar, preferia a ilusão de um “sim” certo do que a certeza de um “não” prepotente e final.

Quis-te porque sim, achei que ias encaixar em mim e eu achei que ia encaixar em ti. Então fiz-te meu, e tu fizeste-me tua, embora estivesses completamente alheado dessa tua missão e desse teu dever.

Devias-me o mundo, devias proteger-me e amar-me, devias ter olhos só para mim, devias fazer parte da minha vida o resto da tua, sabes? Claro que não. Porque eu não perguntei e tu não respondeste. Somos fãs do “deixa andar”. Já viste como “deixar andar” resulta tão bem entre nós?

Parece-me a mim que trocaste os imensos mundos a teus pés, por dois pés teus num só semi-mundo, que é o meu. Faço-te feliz, não faço? Podes responder, que eu agora perguntei.

Esperas por mim horas a fio, reclamas e dizes que não entendes como posso eu demorar tanto tempo a preparar-me. Na verdade não é fácil competir com os muitos mundos que tens a teus pés, respondo-te apenas que também já esperei por ti. Na verdade, esperei toda uma vida por ti e por nós. Já viste como esperar uma eternidade resultou tão bem entre nós?
Não sei se sabes, ou se queres saber, mas fazes parte de mim e do meu semi-mundo.

O que seria do meu quase mundo sem ti?

Sei que tens muito que fazer e que não sabes onde começa o dia e onde termina a noite, mas deixa-me dar-te uma sugestão, deixa que o início do teu dia e o fim da tua noite coincidam no mesmo local: nos meus braços. Pode ser?

Fica lá mais um bocado, podes até ficar o resto dos teus dias. Eu tenho tempo, e vontade também.