Propósito

Era um encontro, supostamente um encontro comum entre dois adultos, sem expectativas ou pressões. Mas não foi o que aconteceu.

No final de um dia de verão, enquanto se debruçava sobre as margens de um lago situado na Europa Central, que frequentemente suscitava dúvidas sobre o seu nome, o relógio era fitado tantas vezes quanto o ponteiro dos segundos passava pelo número da perfeição, o número do mês em que ela nascera.

O tempo que parecia não passar, tornava-se num fardo, que em conjunto com o nervosismo fazia com que o estômago se assemelhasse a um bando de panapaná.

A hora aproximava-se, e sem mais demoras pegou na mochila, que cozida numa alça de improviso baloiçava irregularmente ao som de Elmore James enquanto guiava a sua bicicleta.

Como combinado chegara ao local previamente decidido com cinco minutos de antecedência.

Ansiosamente esperava, e do outro lado da rua vislumbrou um sorriso. Era ébano em marfim, e os seus olhos, duas pérolas negras que se revelavam, faziam qualquer tesouro de piratas parecer desinteressante.

As pernas sentiram o verdadeiro significado de abalo e a voz tardava em expressar-se. Os seus olhos jubilaram com tanta harmonia ao mesmo tempo em que proferia um muito pouco audível “Olá”.

O primeiro encontro seria saboreando um D.O.C. Suíço, e um Gin Tónico. Enquanto trocavam as primeiras impressões, decidiam onde seria o jantar, que se viria a revelar uma viagem gastronómica por um dos países mais antigos do mundo acompanhado de Injera.

A noite precipitava-se enquanto falavam, completando as frases um do outro como já se conhecessem à bastante tempo, o futuro parecia agora ganhar significado.

A sua virtuosidade e perseverança eram complementadas pelo seu brilho, fazendo por vezes que o olhar fosse desviado para os seus lábios carnudos dignos de uma Deusa Iemanjá.

O futuro era incerto, mas a partir daquele momento jamais seria esquecido, a partir daquele momento tinha um propósito…

PORRafael Barata
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