Procuro-te!

Ando. Ando até que os meus sapatos ganhem a força de um grito. Caminho por um trilho não traçado. Na tentativa de te encontrar. Grito. Peço socorro ao mundo. Preciso do teu abraço que me acalma ou do teu beijo que me agita. Preciso de ti. Aqui. Do meu lado. E por isso caminho mais. A distância já é longa. Já não sei o caminho de volta e não deixei pista alguma para trás. Não existem pedras ou paus espalhados que pudessem criar este novo percurso. Esta rota de ti. A única coisa que deixo para trás são os meus gritos que mostram a vontade de te ver, as saudades, a falta que me fazes. Acredita que se existir alguém que saiba o que é amor, alguém tão apaixonado como nós, decerto que esse alguém vai perceber o motivo pelo qual eu tanto ando.

Os sapatos gritaram. Ganharam forças e pediram socorro. Procuro-te. Sem sucesso. Mas continuo. Só que neste momento eu ando descalça. Não preciso deles. Preciso de ti. Preciso de te encontrar. Olho à minha volta e tu não estás. O meu coração ainda não bate o suficiente. É sinal que tu ainda não estás por perto. Tento encontrar-te em cada pessoa que por aqui passa mas a verdade é que nenhum deles és tu. Nenhum deles tem o teu cheiro. Nenhum deles faz palpitar o meu coração. Nenhum deles tem a capacidade de me fazer suar. De me fazer sorrir. Tu não estás aqui. Onde é que estás senão em mim? Quero-te. Preciso-te. Amo-te.
Estou cansada. Não sinto as pernas. Não como há horas. Não bebo há horas. A vontade de te encontrar, de te ver, de te sentir e de me preencheres é maior que qualquer necessidade minha. Estou a sentir os meus olhos a fechar. As minhas forças a faltar. As minhas pernas a cair. E não aguento mais… E caio. Caio redonda no chão de cansaço. Ainda consigo chamar pelo teu nome. E dou um último suspiro: “Onde estás tu?”.




Acordo com um beijo teu na testa. Com a tua voz ao meu ouvido.
– “Estou aqui, meu amor. Estou sempre aqui.”
Era um sonho. Não passava de um sonho. De um pesadelo…
Num abraço apertado esta era a única coisa que te podia pedir…
– “Não me deixes, meu amor. Nunca.”
– “Prometo.”


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