Presa a ti!

Hoje sai à rua. Decidi sair da segurança que é a minha casa e fui passear à mata. Pensei em ti. Pensei no Verão maravilhoso que tive a teu lado. Nunca tinha tido um amor de Verão, nem nunca senti uma paixão tão grande que custa respirar. Não sabia o que era sentir tão intensamente como o que se senti por ti.

Mas, como todos os romances de Verão, o nosso também chegou ao fim. Então, começou o meu pesadelo. Chegara o Inverno mais frio e mais cinzento da minha vida. Já passaram tantos meses e ainda não consegui te esquecer. Não sei o que se passa comigo, todos os dias me sinto triste; todos os dias sinto que a tua partida deixou um buraco enorme no meu ser.

Toda a minha vida li livros, vi filmes, novelas e juro que sempre pensei que este tipo de amor só existia neles. Sempre fantasiei a possibilidade de sentir um amor tão forte e intenso como aqueles que estava habituada a ler e a ver na televisão, mas nunca pensei que na realidade me fosse acontecer. E quando aconteceu eu acreditei que nós os dois iríamos ser para sempre. Que estúpida que fui.

Durante três meses foste tudo para mim, mas agora és apenas uma recordação de um Verão alucinante, uma recordação triste e feliz.

Mudaste-me. Mudaste a mulher que fui. Tornaste-me naquele tipo de mulher que chora a toda hora pelo canalha, pelo cobarde. Destruíste a minha força sem qualquer esforço, tornaste a minha independência numa fachada.

E aqui estou eu, a escrever-te mais uma vez, a chorar por três meses que para ti foram apenas uma brincadeira.

O que vou eu fazer?

Sei que entre mim e ti não há futuro possível, mas o que vou eu fazer se todos os dias me deito a pensar em ti?

Diz-me! Como posso eu esquecer o homem que eu amo?

Quem sabe um dia eu acorde e tu já não fazes mais parte de mim. Um dia tu vais ser só mais uma recordação sem significado.

Um dia eu vou, finalmente, ser livre de ti.

PORClara Beatriz
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