Preciso de ti, agora: e então?

Meu amor,

Preciso de ti, aqui, agora. Não sei desenhar as razões em palavras; mas sinto que me fazes falta. Há uma parte de ti ausente de mim, do meu ar, do meu ser, da minha existência da minha maneira de estar na vida. Falta-me a parte de ti que respira o mesmo ar que eu, a parte de ti que eu sou, a parte de ti que são os meus olhos, os meus lábios, as minhas mãos: o meu corpo.

Falta-me o sonho. Esse sonho intenso de tanto balanço, leve como uma pena, suave como uma brisa; um sonho que tem corpo e alma, o sonho que és tu e que me esvazia. Sempre que fecho os olhos, te procuro e não te encontro. O sonho que me faz viajar por entre almofadas de memórias e pensamentos felizes, que me fazem sorrir nos momentos mais inóspitos, que me fazem transformar as mais belas e fortes emoções, nas mais fortes e poderosas lágrimas e que me dão motivos para amar-te, para desejar-te, para querer tocar-te e sentir-te. Para pedir-te que fiques para sempre aqui.

Falta-me o amor que me faz seguir cada passo que dás, em passo acelerado, sem pensar, sem fazer cálculos, apenas encurtando distâncias. Falta-me cada lugar meu onde tu estás, onde tu ficas e onde tu pertences e pertencerás para sempre. Falta deixar-me perder em cada lugar teu, em cada pedaço teu, em cada fragmento incompleto de nós mesmos. Que se complementou; mas não já não se complementa.

Perguntam-me porquê, mas não sei dar a resposta em palavras, perguntam-me para quê, e apenas tenho capacidade para dizer: que o amor não é feito de porquês nem de para quês. O amor – esse sentimento tão maior que a nossa existência – é feito de sentimentos, de trocas e de partilhas. De coisas pequenas – tão pequenas que muitas vezes não temos capacidade para a ver; mas apenas de as sentir – capazes de colorir e embelezar aquilo que somos e aquilo que vivemos. O amor é um bem necessário, tão necessário como o ar que respiramos ou a água que bebemos.

Faltam-me os gestos de todos os dias, o amor e a paixão em detalhes. Preciso de ti, agora. Preciso do sorriso largo que me fazia amanhecer, existir e viver. Preciso do olhar profundo que me abria janelas para o mundo. Preciso do abraço terno e eterno que me protegia das tempestades da vida.

Preciso de trocar a paz e o sossego que pairam sobre mim, pelo desassossego em que transformaste a minha vida. Preciso de ti, agora; preciso do sofá desarrumado depois de uma noite de cinema, preciso do teu lugar ocupado ao meu lado na cama. Preciso do aroma a café acabado de fazer. Fazem-me falta os momentos em que te roubava espaço e tempo e em que me procuravas para me roubares um beijo fugaz e uma carícia, um sorriso de mão dada com a felicidade e despertavas o melhor de mim.

Falta-me tudo e não me falta nada. Faltas-me tu e o que me deste de ti. Preciso que tragas o meu coração de volta, e com ele a razão do meu viver.

Preciso de ti, agora: e então?

PORAna Ribeiro
FONTEEscreViver
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