É possível ser Feliz para Sempre?

Venho refletindo à cerca deste tema, pois quando crianças somos incentivados a ir em busca da felicidade, nas histórias infantis, os personagens principais geralmente passam por inúmeras dificuldades até chegarem ao “Felizes para Sempre”, como eles, sempre almejamos chegar a este estágio.

No entanto, o conto infantil acaba e não sabemos sua continuação, se teria outras desventuras, provavelmente sim, pois a vida não é estática e não há como sermos ou sentirmos algo o tempo todo. O tempo passa, o que está ao nosso redor muda e proporcionalmente mudamos nossa reação a cada estímulo que recebemos, deste modo, talvez possamos nos permitir ser felizes várias vezes, em vários momentos, mesmo naqueles que possamos estar com algum problema.

A felicidade não precisa ser um acontecimento, um lugar ou algo que aconteça externo a nós, talvez ela seja um estado de espírito, onde seja possível sermos felizes simplesmente fazendo uma torta de morango, mesmo que eu esteja passando por turbulências e tenha situações a resolver, naqueles cinqüenta minutos de preparação da torta, eu estarei feliz. Freud diz que a felicidade é obtenção de prazer e evitação de desprazer, no exemplo do parágrafo anterior acontece exatamente isto, e se repararmos nas histórias infantis, durante o percurso dos personagens, eles encontram formas de serem felizes mesmo estando enfrentando obstáculos.

Também pude reparar que os momentos de dificuldades podem nos impulsionar para o futuro, nos deixando mais fortes, assim nos fazendo amadurecer, meditar e raciocinar.
Algumas vezes, buscamos a felicidade de forma desvairada, esta busca começa a realizar um papel inverso, por exemplo, os casos compulsivos, como trabalho em excesso ou comer excessivamente. Estes comportamentos repetitivos causam geralmente sérios prejuízos para o individuo, onde na verdade ele utiliza esta conduta como uma forma de escape ou alívio.

Devem se perguntar: onde o psicólogo poderia ajudar na procura da felicidade? O trabalho do psicólogo é ajudar o paciente a descobrir quem ele é, quais são seus desejos e medos. Geralmente quando conhecemos a nós mesmos fica mais claro entendermos nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos, desta maneira, a nossa atitude frente a cada situação será mais convicta sabendo o que realmente é o melhor para nós.

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
(A Felicidade – Tom Jobim)