Porque não me vês?

Consegues ouvir-me? Consegues cheirar-me? Consegues sequer ver-me? Será que consegues?

Estou mesmo aqui, mas os teus olhos não se cruzam com os meus, os teus lábios já não se viram para mim, já nem sequer sorris como sorrias.

Os dias são cada vez mais longos e o tempo em que tu apareces cada vez mais curto, e o que sentimos vai fugindo agarrado a ti, ou já terá fugido por outro lado.

Que é feito de ti e dos tempos em que nos juntávamos a rir? Ainda te lembras dos abraços que me davas e de ficares tão feliz quando estavas comigo? O que aconteceu à felicidade? Já não a consigo encontrar em ti, nem em nós.

Consegues? Consegues ver-me? Consegues encontrar-me?

Já não sinto que me procures. Fico à tua espera todas as noites, e todas as manhãs e também durante todo o dia… Nem uma mensagem, nem uma chamada, nem uma conversa quando chegas a casa.

Continuas a estar aqui, mas é como se não estivesses. Já não me vês, já não me ouves, já não te faço sorrir nem sequer te consigo sentir aqui. És como uma miragem que vai e vem, e torna a ir e às vezes nem sei quando volta, nem se volta. Quando voltas? Mas voltas?

As saudades apertam, já te foste embora há tanto tempo e a verdade é que nunca daqui saíste. Sorris comigo novamente? Podes abraçar-me? Podes olhar mais uma vez para mim e fazer-me sentir especial como só tu fazias sentir? Consegues?

Estou aqui e passas mesmo ao meu lado. As luzes estão acesas e eu encontro-me no meio delas. Porque não me vês?