Porque deixei para amanhã?!

Quantas vezes não deixo coisas por fazer porque tenho tempo amanhã? Será que contigo foi igual? Certamente que sim. Imagino a quantidade de coisas que deixaste por fazer. Imagino a quantidade de sonhos que deixaste por realizar, as conversas que deixaste a meio, as palavras que deixaste por dizer… Vivemos sempre confiantes que existirá amanhã para acabar aquilo que não acabamos hoje ou ontem. Nunca pensamos que o amanhã poderá ser uma utopia que nunca conheceremos. Com a tua despedida aprendi que tenho de viver o hoje, embora que moderadamente. Não quero deixar nada por fazer ou dizer.

Morrer é ridículo, é cru mas é uma certeza. Combinamos jantar com os nossos amigos na semana seguinte. Planeamos inscrevermos nos na universidade este ano. Decidimos mudar a nossa vida de uma vez por todas. Planeamos tudo o que vamos fazer na nossa vida e aí vem “alguém” e leva-nos. Leva-nos e deixamos tudo inacabado.

Fará isto sentido? Viver para morrer? Ir embora sem ter oportunidade de despedir. Custa saber que te foste embora sem poder ver o por do sol mais uma vez, sem sentir o cheiro a maresia pela última vez… foste embora sem oportunidade de consertar aquilo que irias consertar “amanhã”.  Aceito a morte quando o corpo já não acompanha a mente, quando já  se viveu tudo a que se tem direito. Mas morrer antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, é ir contra a ordem natural das coisas. Gostava de te ver sorrir mais uma vez, ouvir as tuas gargalhadas uma ultima vez, ouvir-te falar com determinação de algo que querias muito fazer…

Todos os dias me arrependo de não me ter despedido de ti. Arrependo-me de não ter tido coragem para entrar naquela capela para te ver. Talvez precisasse de mais tempo para me conformar. Só que agora, sem ter visto é difícil acreditar. É difícil acreditar que morreste. É difícil acreditar que, a pessoa que considerei um dos meus melhores amigos durante muito tempo, nunca mais vai aparecer.

Queria ter a certeza que neste momento estás bem, só que essas são certezas que nunca temos. Mas sei que para onde eu for, o teu sorriso estará comigo. O teu sorriso e as nossas recordações estarão sempre em mim, eternas.  Obrigada por existires na minha vida durante 16 anos. Desculpa se em algum momento não fui a amiga que devia. As lágrimas que derramo são pelas palavras que nunca te disse, por tudo que devia ter feito e não fiz. Tudo porque sempre pensei que ainda tinha tempo. Só que o tempo esgotou-se e fugiu-me como areia por entre os dedos.

“O tempo não cura. O tempo só atenua a saudade.”


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