Por mais pontes que nos separem…

Guarda-me sempre no teu peito… no teu coração. Em memórias de tudo o que já vivemos, nos desejos que partilhamos e nos sonhos… que nos alimentaram nas noites frias de Inverno. Guarda cada pedaço de nós, cada conversa em que confessávamos todo o nosso sentimento, em que éramos um do outro, em que éramos… um só.

Abraça-te a cada recordação que tens de quem eu sou, deste meu amor que te pinta na saudade em que adormeço, nesta distância que me desgasta, nesta dor que se apodera do meu corpo, que se crava à minha alma. Guarda-me na tua pele, no meu cheiro que perdura na tua roupa, nesta minha paixão louca – que devora cada recanto de um acto de prazer: tão nosso. Guarda a imagem de cada dia em que esperei por ti, de cada despedida em que as lágrimas escorriam pelos nossos rostos, em que prometíamos que a saudade morreria no dia seguinte, em que esperávamos uma vida inteira pelo nosso próximo abraço. Guarda-me…

Guarda-me dentro de ti, naqueles beijos em que nos perdíamos, no olhar que tudo dizia sem que fossem ditas palavras, sem que precisássemos de falar – para dizermos tudo o que tínhamos nas nossas mãos. Guarda-me sempre no teu peito, na tua vontade de querer viver a liberdade, de te largares no mundo e de víveres de fantasias… que tomamos a coragem de tornar reais. Guarda-me na imagem das nossas horas carnais, em que despíamos a roupa, em que nos entregávamos ao prazer, ao querer viver os espasmos que nos percorriam o corpo, que nos escorriam pelos dedos, que nos marcavam em nudez.

Guarda-me sempre nesse teu coração, nesse coração que amarei até à minha morte, nesse teu coração em que aprendi a amar, a ser muito mais do quem um dia… pensei ser. Guarda-me sempre em ti, por mais que tudo possa acontecer… Lembra-te sempre de quem somos… por mais longe que estejamos… por mais pontes que nos separem.