A poesia do sair à noite!

O sabor da cerveja na boca, o aroma do tabaco nos cabelos que esvoaçam ao som do vento, os pés doridos depois de toda uma noite a dançar, os olhos a querer fechar pela força do sono, o dia a clarear, o sol a querer nascer.
Nunca pensei que sair à noite pudesse conter tanta poesia.
Continuo a não suportar discotecas ou bares repletos de gente, continuo a sufocar em ambientes assim.

Mas um sítio em que tenho espaço suficiente para me mexer e conseguir respirar (apesar da presença do fumo), um sítio em que passam músicas que dão vontade de me agitar (e não de me encostar a uma parede ou de me sentar num sofá, como, por vezes, acontece), um sítio em que estou com um grupo divertido de pessoas (sejam os meus amigos ou apenas conhecidos ou até desconhecidos que acabaram de deixar de o ser), isso eu gosto. Adoro, até.
Ainda assim, se me perguntarem:
– Vamos sair?
Sou capaz de dizer não me apetece.
É verdade. Nem sempre me apetece tirar a roupa que trago, tomar banho e arranjar-me. Nem sempre me apetece sair de casa e passar a noite toda acordada. Nem sempre me apetece isso. Gosto de ficar em casa, com o meu computador no colo, apenas a descansar. Porém, mais de 80% das vezes em que saio divirto-me e volto para casa a pensar:
-Se não tivesse saído, teria perdido uma grande noite.
Porque o melhor da noite é o fim.
É o fim, o regressar a casa cansada mas feliz, com todas as emoções ali a fervilhar. É o deitar na cama e recordar cada momento da noite e rir sozinha ao lembrar os mais divertidos.

É sentir o peso do cansaço no corpo todo e, ainda assim, sentir que valeu a pena.
Sair à noite, enquanto todos dormem. Trocar os sonos. Dançar, mesmo sem saber. O prazer da vida mundana sentido por momentos. Sair à noite. Não é a melhor coisa do mundo e, para mim, está sempre dependente da companhia. Mas sair à noite.
Regressar no final da noite, no início do dia com o sabor da cerveja na boca, o aroma do tabaco nos cabelos que esvoaçam ao som do vento, os pés doridos depois de toda uma noite a dançar, os olhos a querer fechar pela força do sono, o dia a clarear, o sol a querer nascer.
Nunca pensei que sair à noite pudesse conter tanta poesia…


PELA WEB

Loading...