Poeira da vida!

Pego numa vassoura para varrer a solidão, que me acompanha a toda a hora acorrentada em meu coração.

Com um pano na mão limpo a poeira da minha vida, teias que na escuridão não deixam limpar a ferida.

Sacudo a tristeza que largo ao ritmo do vento, tento aproveitar a beleza mas é maior o sofrimento.

Meu rosto foi ateado por uma enorme labareda, estou presa a um cadeado, a felicidade estragou-se como a seda.

Rasgo todas as folhas que não passam de rascunhos, tudo isto foram escolhas mas não quero cortar os punhos.

Uma dor que não foi polida corrompe passo a passo a minha alma, a vida não me foi querida, jamais soube o que era calma.

A solidão está com pressa de se apoderar de mim, eu fujo com toda a pressa, não posso ficar assim.

A morte brilha em meus olhos parecendo não me querer deixar, tento fechar os poros para ela não me agarrar.

Da vida quero esquecer o que me fez infeliz, este meu querer, não é mais nada do que vontade de ser feliz.

Tento retractar com vontade todo o meu passado, para escrever a saudade do que hoje é recordado.

Quero apagar as tristezas que deixaram esta cicatriz, lembrando apenas das belezas que faziam meu coração feliz.

Tento limpar a poeira que existe em minha vida, talvez através de uma fogueira eu consiga tratar esta ferida!

PORJoana Brito
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