Pessoas e pessoas…

É fácil deixar alguém para trás – o que magoa é a esperança que espreita sempre. A esperança de pensar que não está totalmente acabado, de que ainda vale a pena, de que as coisas vão voltar ao mesmo. Mas as coisas nunca voltam ao mesmo.

A desilusão acontece uma e outra vez e acabas por criar anti-corpos, imunidade perante a pessoa que te magoou. E de repente parece que consegues respirar novamente. É como se durante aquele tempo estivesses debaixo de água a suster a respiração e depois voltas à tona onde tudo é claro e perceptível.

Como é óbvio, ainda demoras um tempo a recuperar de tanto tempo que ficaste sem ar mas depois relaxas e sorris porque sobreviveste à partida de alguém. Levaram um parte de ti mas continuas a nadar e continuas a respirar e continuas a lutar contra a corrente, por muito cansada que estejas.

Há cansaços que valem a pena e este é um deles porque por cada vez que te partem o coração é um coração partido mais perto daquela pessoa que te vai ajudar a reconstruir-te. E “aquela pessoa” pode muito bem seres tu mesma, ser “aquela pessoa” nova que se transformou e renasceu.

E aí reparas que afinal a pessoa que te magoou, que pensaste que não conseguias viver sem, está bem longe e está tudo bem. Porque se calhar as pessoas não são feitas para ficarem juntas. Nem mesmo as casadas.

O sempre não existe e o pouco tempo que vivemos é para termos experiências e apenas viver. Há pessoas que ficam pouco tempo e marcam para o resto da tua vida e há pessoas que ficam anos contigo e simplesmente não te tocam com tanta intensidade. Talvez as pessoas sejam mesmo feitas para serem temporárias – umas ficam mais tempo que outras.

PORVanessa Tusto
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