Perdoa-me!

Fiquei a pensar quantas palavras te diria. Talvez uma : perdoa-me. Não sei bem porquê, mas perdoa-me. Perdoa-me a confiança que te dei. Perdoa-me.

Perdoa-me a maneira como te beijei. Perdoa-me. Perdoa-me tudo o que te dei. Perdoa-me os risos e as gargalhadas, as brincadeiras e as choradeiras. Por favor, perdoa-me. Perdoa-me as noites de cinema, as noites de sexo, e as noites sem dormir. Perdoa-me. Perdoa-me as tardes no shopping, as tardes à beira rio, as tardes na cama, as tardes a ler, e as tardes à conversa. Perdoa-me. Perdoa-me as manhãs sonolentas, as manhãs preguiçosas, e as manhãs carinhosas. Perdoa-me. Perdoa-me os ciúmes, a compulsividade, os sermões, e os dramas. Perdoa-me. Perdoa-me as promessas e os segredos ao ouvido. Perdoa-me, meu amor. Perdoa-me os beijos na testa, os beijos na boca e os beijos pelo corpo inteiro. Perdoa-me. Perdoa-me o primeiro abraço no meio da praça, o abraço no banco do jardim, o abraço na cama, o abraço no carro, o abraço apertado e o abraço eterno. Perdoa-me. Perdoa-me este texto, estas palavras, e as que ficaram por dizer. Perdoa-me, minha amada.

Perdoa-me se tu foste e eu fiquei. Perdoa-me se ainda te espero. Perdoa-me, porque ainda te amo. Perdoa-me se um perdão é pouco. Perdoa-me pelo corpo que hoje te aquece. Perdoa-me se o café arrefece. Perdoa-me como se houvesse algo a perdoar. Perdoa-me como se a culpa fosse minha. Perdoa-me, se afinal de contas ainda tenho de ser eu a pedir perdão. E volta. Nem que me deixes novamente. Mas perdoa-me, que eu não me consigo perdoar.