Perdoa-me Por Estar Contigo A Pensar Nele…

Acordo de manhã com o sol a invadir o quarto beijando-me a face e o teu corpo enroscado no meu.

Tu ainda dormes e no meu pensamento ecoa aquela pergunta “e se?”.

E se o outro estivesse aqui a apertar-me forte contra o seu corpo?

E se ele nunca tivesse abandonado a minha vida?

E se o seu lugar na cama continuasse preenchido pela solidão da sua ausência?

E se fosse ele aquele que me acorda de manha com sussurro de amor?

E se ainda fosse ele ao invés de ti?

Perdoa-me.

Perdoa-me por não ser a mulher que mereces.

Perdoa-me por não ser a mulher que acreditaste que eu era quando me conheceste naquela madrugada de verão.

Perdoa-me por não ser a mulher que a tua mãe tanto queria como nora.

Perdoa-me por ser covarde e insensível.

Perdoa-me por te abandonar nesta cama.

Quando acordares, vais ler esta carta e vais odiar-me, eu sei. Perdoa-me por fazer-te odiar-me.

E perdoa-me por não ficar.

Mas quando estou contigo, ainda penso nele, e isso não é justo para nenhum de nós, sobretudo para ti.

Mereces uma mulher que se deite ao teu lado e te ame.

Mereces uma mulher que faça planos e te apresente à sua família como o seu verdadeiro amor.

Perdoa-me por partir assim. Sem me despedir. Sem olhar nos teus olhos. Sem me justificar. Sem argumentar. Sem falar.

Perdoa-me.

Perdoa-me por deitar todas estas noites ao teu lado a pensar nele.

Perdoa-me por acordar todas as manhas com os “e se?” a ecoarem na minha cabeça.

És fantástico, sei que sabes disso, já te disse milhares de vezes.

A minha mãe adora-te e a minha mãe não vai gostar de saber que te magoei desta forma.
Mas tu mereces melhor. E eu sei que não queres acordar com uma mulher habitada pelos seus fantasmas do passado.

Precisas de alguém que te ame, como eu não sou capaz de amar, pois o meu coração sempre teve outro alguém.

Perdoa-me por ter tentado esquecer esse alguém ao jogar-me nos teus braços.

Perdoa-me por não ser quem pensavas que era.

Perdoa-me por estar contigo a pensar nele.

Sei que agora as lágrimas caem, a raiva percorre cada veia do teu corpo e a dor te consome devagarinho, matando aos poucos a pessoa que és.

Perdoa-me por tudo, já que eu nunca me conseguirei perdoar.


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