Perdidos no tempo…

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem o tempo que o tempo não tem.

Quem me dera poder voltar atrás no tempo, viver, reviver, e fazê-lo de novo. Gostava de poder aproveitar a escassez do segundo e a passagem curta da hora. É o não conseguir fazê-lo que nos deixa frustrados.

À medida que o tempo passa apercebemo-nos de que não fomos feitos à medida de que ele se fez, e que isso nos deixa perdidos numa vida cronometrada com a qual não nos encontramos sincronizados. Será essa talvez a razão pela qual inconscientemente achamos entender o tempo quando ele não tem compreensão possível.

Porque razão quando dormimos as horas passam sem nos apercebermos?

Porque motivo em alturas de tristeza ou ansiedade os minutos parecem arrastar-se o mais possível e em alturas de felicidade eles parecem tão curtos?

Porque razão a nossa memória não capta facilmente cenários rápidos, e por vezes não nos lembramos da cara de alguém com quem falámos apenas uma vez?

A verdade, embora triste, é que nenhum de nós sabe viver em função do tempo e acaba por não ter tempo para nada. Desde que acordamos que a primeira regra que nos é impingida é de um horário a cumprir, e quando nos deitamos percebemos que essa é também a ultima.

Nenhum de nós consegue controlar o tempo, e é por isso que quando damos por ela é passado ao que pouco tempo antes estávamos a chamar futuro.

O presente é tão curto que não nos dá a oportunidade de vivê-lo.

Se há coisa que eu gostava, era de prolongar o presente. Gostava que ele me desse tempo para contemplá-lo, vivê-lo e aproveitá-lo.

Na realidade, todos queremos o mesmo..!

Todos queremos o presente para sempre.

Por vezes um presente melhor que aquele que vivemos.

Mas só o queremos a ele.

E só precisamos do passado e do futuro para entender isso mesmo.