Perdi-me em ti…

Perdi-me em ti..

Uma, duas, três vezes, até me perder de mim.

Bússola andante, estrela guia, compasso moral, Sul, Norte, Este e Oeste, os quatro num único sentido.

Amar-te.

Não me esqueço das noites em branco, de me deitar na nossa cama meses depois e ainda lá te sentir.

Sentir a tua presença mais do que ausente na forma de um corpo que já lá não estava.

Esqueci-me de quantas noites te tentei substituir, quantas metades de ti procurei em homens inteiros que tudo tinham para me oferecer menos aquilo que eu queria. Tu.

A verdade nua e crua? Tu na minha cama com o teu jeito de diabo e eu armada em santa.

Quantas noites me perdi em ti e quantas noites tentei fugir de ti.

Escuro, lágrimas, aquela dor lacerante que nos deixa enroladas no chão em posição fetal à espera que tudo passe, ou que pelo menos o chão se torne mais frio do que tu alguma vez conseguiste ser..

Como se isso fosse possível.

Promessas quebradas, mãos dadas, beijos roubados, corações quebrados.

Se eu era uma criança inocente quando me conheceste, hoje dela já nada sobra.

Dizem que a dor nos leva a coisas incríveis, a tornar-nos naquilo que nunca pensámos ser..

Eu tornei-me podre, cruel e vingativa. Sorriso na cara e o diabo na mente.

A dor torna-nos artistas, dizem eles..

Tudo tretas de quem sempre vê o copo meio cheio num copo vazia.. De sonhos.

Sonho muito, sonho o dia inteiro, sonho acordada revivendo o passado que era tu e eu.

Presos naquele momento, o tempo parou, eu e tu no teu carro a sorrir um para o outro, tu deitado em cima de mim, abraçado a mim..

Será que algum dia isto pára?

Respiro profundamente, o teu cheiro que insiste em ficar invade-me a mente, olhos fechados e quase que te oiço.. ”Estás sempre a rir!!”

Na verdade, estar ao teu lado deixava-me como uma criança num coma de açúcar..

Feliz, leve como uma pena, inocente.. A tal inocência que se vai quando insistes em partir em gestos irreflectidos.

Contigo aprendi que nem toda a gente que foi feita para se amar, se ama junto durante o resto das suas vidas.

Eu e tu, corpos colados um no outro, as tuas mãos no meu corpo e as minhas unhas já a arranharem os lençóis..

Vais-me mesmo dizer que não fomos feitos um para o outro?

Amor? Ainda conheço todas as mentiras que contas a ti próprio.. Teimoso.

Talvez ainda te vá querer no dia em que bateres com a cabeça na parede e te aperceberes do erro que cometeste ao deixares ir a mulher da tua vida.

Mas se isso não acontecer sempre terás a lembrança dos dias em que foste o meu sol e a minha lua..

E isso já é bem mais do que tu alguma vez me pudeste oferecer..


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