Perdi-me em mim

O mais sufocante de tudo é quando estamos a passar por algo que mais ninguém compreende, ninguém percebe. Inocentemente todos nos querem consertar, o que os transcende é que, estamos desintegrados de mais para podermos alcançar a plenitude.

É quando um planeta tão grande se revela, um espaço tão pequeno para nos escondermos,  as conversas mundanas parecem batidas dentro de nós, a melodia do mundo se torna aflitiva, como peças musicais desafinadas, os carros a passar, as televisões, os pássaros, o cão da vizinha … É tudo tão mundano, e no entanto não faz sentido nenhum, perdi-me em mim e não podia suportar nada daquilo, as lágrimas são discretas e cada uma era mais um grito silencioso, outra facada invisível, que trazia uma dor que nada apaziguava.

Só existe um sentimento que perdura, o sofrimento, podemos sofrer vezes e vezes pelo mesmo, tanto que a pouco e pouco nos começa a cegar, de tudo aquilo que faz de nós quem somos, os nossos gostos, as nossas paixões, os nossos segredos, as nossas habilidades … vão se silenciando nos escombros do nosso cérebro, deixamos de sentir prazer da simplicidade de acordar e ver o sol.

A pouco e pouco o círculo vai fechando e o sentimento de sufoco é maior, como é que ninguém percebe? As pessoas vêem-me mas não me estão a ver, estão a ver através de mim.

E é aqui que, o mesmo planeta se mostra grande de mais, com tantas pessoas à minha volta sinto-me perdida numa multidão, alienada de tudo e todos, desorientada enquanto todos os outros seguem um rumo. A ironia de uma pessoa se conseguir sentir sozinha, quando está rodeada de pessoas, transcende-me.

Mas na verdade nunca estamos bem sozinhos, apenas abstraídos dos outros, pois estes não conseguem ver o mesmo que nós, nunca conseguirão. Vejo o mundo de uma maneira única, tal como eu, incompreensível. Mas não foi preciso ninguém compreender isso. Temos que eventualmente deixar os outros entrar no nosso espaço, permitir que a pouco e pouco o mundo deixe de nos absorver tanto, e passar a preenchê-lo com aquilo que mais gosto nos dá, colori-lo com as nossas qualidades, e a pouco e pouco a dor atenua … não desaparece pois também ela faz parte de nós e deste sítio peculiar a que chamamos Terra, o nosso lar.

O amor é a energia que nos move, o fortuna mais pura, e nossa maior ruína.

PORMaggie
FONTEDayDreaming
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