Perdeste-me porque te perdeste!

Pelo meio de olhares desconhecidos, ruas misteriosas e vozes estrangeiras, eu caminho. Caminho e procuro-te, mesmo sabendo não te encontrar. Os dias vão parecendo cada vez maiores desde que te foste embora e agora comigo apenas ficaram as lágrimas, as saudades, as recordações do que foi e que já não é.

Caminho por entre pessoas, milhares que se movimentam nestas ruas, a pé ou de transportes que tanto barulho fazem ao passar. Mas, juro-te, que nunca me senti tão sozinha e silenciosa.

Não há nada em mim senão o vazio que deixaste, roubaste-me a alma e o coração e eu sou apenas um corpo a esforçar-se para andar, para seguir os passos das outras pessoas. Para onde me levam? Um buraco escuro e fundo era agradável, obrigado.

O vento sopra e parece zangado. Acho que não gosta de me ver assim. Tu é que devias não gostar! Depois de tudo o que por ti fiz e do amor incondicional que te entreguei… Restam mesmo as lembranças do que foi em vão.

Perdeste-me porque te perdeste. E talvez um dia te voltes a encontrar para nos encontrares outra vez. E enquanto respirar eu vou fazê-lo por ti, na esperança que o amor se liberte desse cofre onde o guardaste, tão bem escondido que nem tu sabes onde.