Pegadas na Areia…

Apercebi-me por experiência própria que um amigo se torna num desconhecido nuns meros 2 segundos.

Os sábios dizem que só nós podemos traçar o nosso destino, na minha versão da história, isso não é verdade.

O destino pode ser muito intolerante se tentarmos virar-lhe as costas e agir por conta própria, mas ele não é o culpado, ele foi bondoso connosco, deu-nos escolhas.

Eu escolhi lutar e permanecer a teu lado, enquanto tu, escolheste desistir e fingir que esqueceste. Escolhas diferentes levam a caminhos diferentes, caminhos diferentes levam a um eterno esquecimento.

Todos os seres-humanos precisam de amor, mesmo que faças frente, o destino irá trair-te assim como me traiu a mim, mais cedo ou mais tarde vais ver-te confrontado com os teus piores medos e nesse momento que vais fazer? Fingir que nada está a acontecer? Refugiar-te num paraíso que não existe? Não! Nada mais vai resultar, vais ter que erguer-te e fazer-te um homem, um homem que um dia terá de se sobrepor aos medos.

O conto-de-fadas está prestes a terminar, deverás preparar-te para o que se seguirá, para as pessoas que perderás pelo caminho, pois só as verdadeiras continuarão e só aquelas que permitires caminharão lado a lado contigo.

Eu estava disposta a caminhar, neste momento os meus pés não passam de pegadas na areia.

Quando envelheceres mais um pouco e a tua memória começar a falhar, vais lembrar-te de muitas coisas, muitas outras coisas, menos de mim.

A sabedoria do povo diz que esquecemos todos os acontecimentos do passado para prosseguirmos com o nosso presente numa tentativa de alcançar um melhor futuro, sem remorso, sem dor nem sofrimento, mas, mesmo que encubras o passado todos esses sentimentos vão perseguir-te até ao final da vida, e a única pessoa que os pode acalmar já não estará contigo, ela estará longe, talvez num comboio ou num avião rumo a um local longe de ti, a um local onde tudo o que te consiste desapareça, um local onde ela possa recomeçar e ser feliz, apesar de a mesma reconhecer o quão difícil será e as provações que irá enfrentar, mas sabe que para tu poderes ser feliz sem intromissões, terá de se afastar para que não caia no erro de voltar a sentir por ti o que sentiu outrora nos tempos de escola, nos tempos de adolescência, onde continha as emoções à flor da pele e qualquer palavra ríspida a fazia chorar, onde qualquer ato de amor era condenável.

Estou a divagar, mas imagino-me um dia, sentada numa cadeira de praia com o olhar perdido no mar, com uma fotografia nossa a marcar a página de um livro cuidadosamente escolhido.

Sem dúvida que ambos iremos envelhecer, rodeados de filhos e netos, mas sei que um dia, à mesma hora, nos sentaremos no alpendre numa cadeira de balanço e recordaremos os nossos bons momentos, porque por mais que o destino nos afaste eu arranjarei sempre maneira de voltar para ti.

Mas tudo se irá desvanecer, e tudo o que criei agora será levado pelo vento, assim como o mar engole a areia do mar e a toma como sua.

PORSofia Sousa
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