Pazes na cama!

"E, no fundo, nós gostamos tanto de fazer as pazes na cama. Foi só juntar o útil ao agradável."

São 2 da manhã e não consigo dormir, os lençóis da cama já devem estar gastos de tantas as voltas que esta noite dei na cama. Já fiz de tudo, já contei os famosos “carneirinhos”, já cerrei com força os olhos na tentativa de adormecer mas eles teimam em abrir, a cabeça a mil não me deixa descansar, quanto em menos coisas quero pensar em mais penso, simplesmente não dá.

Sempre soube que o amor não é o mar de rosas que os contos-de-fadas dizem ser, nem nunca esperei que fosse. Desde o início, mesmo quando o fogo da nossa paixão ardia incessantemente como se não fosse ter fim, eu já esperava dias piores. Mas ainda assim, mesmo há espera de fases menos boas, odeio deitar-me e saber que também não dormes com raiva das palavras por nós ditas no calor da discussão desta tarde.

Eu sei, é difícil acreditar em mim, um traste que já tanto te fez sofrer. Sei que não fui em tempos merecedor da tua confiança, que cometi demasiados erros que não mereciam perdão mas prometi-te mudar e acredita, tenho feito um esforço. Juro-te que não te trai nunca mais desde que ameaçaste deixar-me da última vez que o fiz, morri de medo que cumprisses essa promessa e a partir daí que tenho feito de tudo para mudar e ser o homem que mereces que eu seja.

É verdade, as mensagens dela estavam no meu telemóvel, não o posso negar mas não houve retorno. Que tenho eu de fazer para que acredites em mim?

No fundo eu até mereço, enquanto acreditavas em mim eu mentia e com tanta mentira tornei-te na descrente que hoje és.

“Quem me dera que ela estivesse aqui esta noite…”, pensei eu no mesmo instante que ouvi soar a campainha. Abri a porta e lá estavas tu, ainda mais bonita do que o costume. Por momentos achei que tivesse por fim adormecido e estivesse então a sonhar, mas não. Tão rápido como abri a porta abri a boca para tentar de novo me explicar e fui silenciado por um beijo teu antes de terminar a primeira palavra. Num ápice desaparecemos da entrada e reaparecemos no meu quarto, os nossos lábios nunca mais se largaram e transbordavam desejo, um desejo mais forte que a força da nossa discussão de hoje.

Os lençóis outrora gastos pelo reboliço da minha insónia agora eram roçados pelos nossos corpos em brasa.

Eu sabia, o nosso amor é demasiado forte para que nos derrubem assim facilmente.

E, no fundo, nós gostamos tanto de fazer as pazes na cama. Foi só juntar o útil ao agradável.