Sempre fui a menina do Papá!

Não tem de existir uma data especial…
Não é apenas nas datas marcantes que temos de nos lembrar ou expor o que sentimos…
Todas as datas foram especiais… mas talvez te escreva por estar a alcançar mais um marco.

A 2a edição… O meu primeiro livro…
Acreditas? Já?
Talvez eu tenha que apenas inventar um motivo para te escrever, mas na realidade, não tem de existir um motivo específico.
A saudade é motivo suficiente.
A dor também.

Sempre fui a menina do papá, lembraste?
Sabes o que me custou mais desde do primeiro momento?
Não te ouvir a chamares-me “filha”, “pequenina”…
Custou não te ver.
Não ter a tua presença.
Custou e custa…
Não, o tempo não cura.

Quem disse isso enganou todos os que acreditaram.
O tempo faz com que nos habituemos, e habituar apenas nos ajuda a sobreviver.
Sabes , custa mais saber que é maior o tempo que vivo sem ti, do que aquele que vivi contigo.

E estranho saber que viva o tempo que viver, passei tão pouco tempo contigo…
Custa ver que não estás aqui a aplaudir na primeira fila as minhas vitórias, como sempre fizeste…

Como fazias cada vez que eu entrava em campo e dizias ” É a minha filha!”
E eu sabia que era orgulho.
Notava-se, e esse orgulho só me levava a querer ser mais e melhor.
Um dia consideraram-me a melhor jogadora da equipa e tu demonstraste o teu orgulho.

Sim, também estavas nas minhas quedas… mas não era pelo sermão.
Era pelo amparo, para eu saber que estavas ali e que ia passar.
Dizias que “dói e passa”.
Eu acreditava.
Sempre.

Porque realmente passava.
Passava quando caí inúmeras vezes a aprender a andar de bicicleta.
Passava quando sofri derrotas em jogos e ficava frustrada comigo mesma, mesmo quando sabia que tinha dado o meu melhor.
Passava… sempre.

Mas infelizmente há dores que não passam e isso, eu não sabia isso…
Acho que te escrevo quase desde do dia em que foste obrigado a partir, e acredito que seja para te manter o mais presente que consiga, ou talvez porque não quero que se perca a existência de um pai tão fantástico como foste.

Nunca te vou esquecer.
É impossível esquecer o Pai exemplar que foste.

Eu era a menina do papá lembraste?
Acredita, vou continuar a ser.

PORPatricia Rebelo
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