Páginas de uma vida, páginas de um grande amor…

“Hoje vou falar de ti, de mim, do que se calhar eu penso que algum dia fomos. Então comecemos logo pelo início.

Tinha 12/13 anos, não tenho bem a certeza. Era uma miúda que cresceu rápido demais para a idade que tinha (tanto em termos físicos como psicológicos), que se sempre interessou por rapazes mais velhos, reconhecia-me como uma rapariga extrovertida e alegre, mas muito inocente, algo que na altura eu nem tinha noção.

Começámos a falar já não sei porquê, mas a ideia de ter um rapaz mais velho a meter-se comigo endoidecia-me, fascinava-me completamente, porque eram poucos os rapazes da minha idade que olhavam para mim de maneira diferente e que me agradavam. Nós temos relativamente uma boa diferença de idade, e quem sabia, achava muito estranho, aliás muitos pensavam que só te querias aproveitar de mim. Alguma vez foi isso? Não sei, mas quero acreditar que não.

Sabes, ver outras miúdas a falar contigo, a meterem-se contigo, epá, enfurecia-me, ficava mesmo com ciúmes, queria-te só para mim. O grande problema era este: ter-te só para mim. Pois… é que nunca consegui, atualmente tenho 18 anos, já não estamos juntos mas nem isso consegui este tempo todo da minha vida.

Mas voltando um pouco atrás, nunca foste o rapaz que eu algum dia sonhei, aquele que me ia pedir em namoro, que me oferecia flores de vez em quando, que me assumia como namorada perante os amigos ou família, mas foste aquele que me conseguiu fazer mais FELIZ. Os teus olhos era o que eu mais gostava, quando me olhavas com esses teus olhos castanhos e me sorrias eles brilhavam tanto, que o meu coração acelerava imenso. Ou quando estávamos em silêncio e me olhavas, olhavas e estavas a pensar coisas que eu nunca tive a ousadia de perguntar o que era. Quando estava contigo o meu corpo tremia, nunca sabia o que dizer, se calhar só dizia parvidades, sentia-me tão atrapalhada meu Deus. Era muito nova, tão nova que hoje não sei se fui parva por não ter aproveitado mais a minha vida.

Nunca me ofereceste flores, nunca fomos ao cinema, nunca me foste buscar à escola, nunca estivemos numa festa juntos com os nossos amigos. Eu era só uma miúda… Mas tu para mim eras diferente de todos. Só tu conseguias despertar todas as emoções possíveis, só tu conseguias deixá-las à flor da pele. Fecho os olhos e tento imaginar o teu toque suave em mim, o teu abraço forte, a tua respiração ofegante no meu ouvido, as nossas brincadeiras. Como é que é possível nenhum outro homem ser capaz de fazer o mesmo ou melhor? Será que sou eu não que nem sequer os deixo tentar?

Sempre pegámos e despegámos, eu tentava resistir mas nunca conseguia, sentia uma saudade imensa, o meu coração perguntava-me porque é que não aproveitava, a razão questionava-me sempre se era o que eu queria. Só que o coração ganhava sempre. A razão era sempre o motivo do fim e o coração o do recomeço. E assim vivemos no vaivém durante uns anos. Ambos crescemos, tornámo-nos mais maduros e a última vez que reatámos o quer que tínhamos foi difícil, no início era bruta, orgulhosa, tinha ganho amor-próprio, mas no fundo só queria ver-te mesmo interessado em mim, queria sentir amor, carinho, queria ter a certeza que não era como as outras vezes, que não era só para de vez em quando, que só me querias a mim, mas nunca tive. Estavas diferente é verdade, mas eu conhecia-te e então a única coisa que impus foi que já que não namorávamos seríamos fiéis um ao outro e contaríamos sempre a verdade.

Lembro-me um dia, que enquanto dormias apreciava-te lentamente, cada pormenor, cada traço da tua cara, da forma como dormias… parecias sentir-te seguro comigo, estavas tão perfeito que tinha medo de te acordar. Acho que sabias que te amava mesmo e jamais te trocaria. Deixavas-me calma, só tu me conseguias calar e acalmar quando estava nervosa.

Passaram uns meses eu fiquei mais doce, talvez demais, começa a haver algumas discussões, e um dia começo a ver que algo não estava bem, mas o que era não sabia. Sabia que não era igual, que estávamos diferentes. Então num dia de total desespero acabo tudo o que tínhamos sem razão aparente, apenas pelo que já disse anteriormente. Foi numa altura de festas, dias seguidos, não parei para pensar, dançava e bebia a noite toda, não queria saber, ou pelo menos não era o que eu queria pensar na altura. Vemo-nos um ou dois dias depois nessa mesma festa, fomos falar e tu tentas beijar-me. Não sei o que foi, por que motivo mas eu senti que querias tentar mas também senti que não podias. E percebi porquê finalmente, estavas a começar a estar interessado noutra mulher, e quando nos vínhamos embora, aí o mundo caiu-me, sentia-me completamente destroçada e mesmo à tua frente choro imenso, sem querer chorar. Ainda hoje tenho vontade de chorar. Já tive com outros homens mas ninguém me faz tão feliz como tu, nem o sexo é bom, penso em mil e uma coisas e nem sei o que estou a fazer. Digo que não gosto de ninguém mas quando falo em ti não me calo. Agora podia ter os homens que quisesse, da tua idade, mais velhos, mais novos, mas nenhum me interessa, nem para me divertir, nem me consigo mesmo divertir numa noite com um homem. Aliás nem posso com qualquer homem que se venha meter comigo, involuntariamente mesmo, afasto-o, se for preciso sou mal educada e exagero.

Já pensei, talvez se eu tivesse evitado algumas discussões, talvez dei demasiado amor, o talvez abomina-me. Nos meus pensamentos tanto desejei que amasses realmente uma mulher, que farias tudo e mais alguma coisa, até mudarias por ela (algo muito difícil), tanto desejei desejei, que acho que foi o que aconteceu mesmo, pena que não foi por mim né. Pensar no que podia ter feito para isto resultar mesmo destrói-me completamente.

Ah e os “segredos dos anjos”, como lhe chamaste, ainda me destruiu mais. Mais porque te amava, mais porque duas para mim é demais, e não é preciso de dizer mais nada, porque afinal é segredo, mas foi um erro.

Mas também olho para trás sentindo-me estúpida por amar-te tanto tempo. É, é verdade, hoje olho para trás e era muito nova mesmo, muito nova para amar-te até hoje. Foi muito tempo a desperdiçar muitas oportunidades. Mas sinceramente? Sinceramente nem estou arrependida, nunca fui tão feliz, nunca ninguém me conseguiu levar à lua como tu.

Ainda hoje tens alguém que te irá apoiar verdadeiramente, e tu sabes disso. Até com a mulher que te roubou de mim. Como é que possível? Como é que consigo ser tão imparcial? Amar-te-ei tanto a ponto de ser infeliz e desejar que sejas feliz com outra mulher que sei que amas? Como é que posso apoiar-te em algo que não devia existir apoio da minha parte? Dizer-te para teres calma, que tens que lhe dar o devido valor, que tens que amá-la, respeitá-la, ser-lhe fiel, concluindo: digo-te mesmo para seres o homem que eu nestes anos te ensinei a ser. Sim, porque acho que ainda te ensinei a ser alguma coisa, acho que agora já percebes que as mulheres são seres incríveis, que podem ser tão frágeis e outras vezes tão duras, que precisam de amor, que gostam de ouvir todos os dias um amo-te mas têm que ser um daqueles mesmo sentido.

Vai sempre existir uma parte de mim que te amará para sempre, quer eu queira, quer não. Posso dizer que chega, que agora já não há volta a dar, mas eu sei, eu sei que se quiseres voltar para mim eu vou aceitar-te.”

Partilhar é cuidar!