Páginas de um diário perdido…

Acabei à pouco de falar com ela e ontem numa mensagem tinha-lhe afirmado que não o podia perder. Sinceramente não posso nem pensar nisso. Ele é demasiado importante.

Ela acabou por dizer que quando leu a mensagem lhe passaram várias coisas pela cabeça. Leu o meu coração à distância.

Não é amor, é um incontrolável medo de o perder, desta pessoa que me enriqueceu de maneiras que nem ele sabe.

Ontem falou-me tão docemente que queria ter gravado aquelas palavras, depois voltaria a ouvi-las 20 anos depois e recordaria um dos momentos que me fizeram felizes.

Naquele momento não havia mais ninguém, existíamos nós e uma nuvem de calor que abafava os sons… Abraçados éramos um, as respirações misturaram-se, os narizes e as testas tocaram-se e embalada naquele momento quase adormeci. Adormecer é para mim algo doloroso, é um sacrifício, com ele foi tão fácil. Foi como se nele existisse uma cura para todos os tormentos.

Ele foi a cura para o mundo exterior. Eu estava ferida e o simples calor do corpo dele curou a minha mente cansada.

Bem, voltando a ela… Ela disse que eu sentia algo mais, que estava a começar a apaixonar-me… Acho que não sinto nada… Acho que estou apenas viciada naquele toque, naquele arrepio na pele, naquele cheiro, naquele calor… Ele embebedou-me com o seu cheiro… Ele embebedou-me com aquelas palavras.

Estava tão bêbado e tão querido… Porque tinha que ser comigo? Já não acham que me sinto mal o suficiente? Não basta sofrer por um ainda terei que sofrer por algo platónico?

A minha mente quer descanso, um descanso que este coração dilacerado não lhe permite.

Oh Deus clareia a minha mente. Devolve o que era meu. Devolve tudo aquilo que já tinha antes desta viagem.

Não posso sequer pensar em perdê-lo… Não conseguirei dormir se souber que há uma mera hipótese de perdê-lo… Eu não direi a ninguém todas estas dúvidas que me assolam.

Serei uma menina normal, serei alguém que guarda para si o segredo de uma vida, serei um cofre que não abrirá para mostrar os seus tesouros… Mas preciso dele, as brincadeiras que temos, as nossas conversas, quando ele diz “Ui que porca”… Quando escrevi isto foi como se ele estivesse a citá-las para mim. A voz dele era melodiosa ontem, entranhou-se no meu peito como uma faca, mas o que saiu do meu corpo não foi sangue mas sim um misto de alegria e exultação.

Será que não percebem que já sou romântica que chegue? Porquê aquelas palavras? Porquê aquelas exatas palavras?

“Ficava assim contigo para sempre”, Meu Deus, morri com essas palavras, algo apertou dentro de mim, reti essas palavras como uma esponja retém a água.

Estou perdida num labirinto de indecisão e medo.

Não confio em mim própria, não confio em nada de mim.

Ele disse que eu era linda porque estava bêbado, mas quando o disse foi como se tivesse sido verdade e eu acreditei por momentos… Ele fez-me sentir a rapariga mais linda de sempre e neste momento sinto-me a pior do mundo.

Se soubesse que me ia sentir assim tinha recusado a consequência.

Acabo sempre por me sentir mal em viagens destas… Há sempre algo que acontece.

Não consigo deixar em Lisboa o que lá aconteceu… Não consigo colocar para trás algo que me esta a dar que pensar…

Pode parecer exagero mas hoje não parei de pensar nele um único segundo.

Hoje quando estava a contar algumas partes da visita, o nome dele dançava na minha boca mas recusava-me a dizê-lo…

Ontem no regresso a casa desejei que dormisse no meu ombro, desejei que me acariciasse novamente os cabelos e que me transportasse para aquele lugar embargado pelo calor.

Quando visitámos a cidade a distância ocorreu, o meu pensamento viajava para ele e quando o via algo suscitava em mim… Por momentos…por momentos… Bolas por momentos o raio… Que merda de estupidez a minha…. Estúpida estúpida estúpida! Sou uma estúpida… Sinto-me uma estúpida de uma porra de um raio….

Raio de álcool manhoso…. Porquê a mim? Logo a mim que sou uma merda de uma romântica de um raio… Ele deixou-me sem fala, ainda não consigo… grrr…. Porra porra porra…

Paz quero paz! Quero paz nesta cabeça que não sossega.

PORSofia Sousa
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