Páginas de um diário perdido II

– Imagina que vocês ficavam juntos!

– Não me parece! Temos personalidades muito idênticas e sinceramente acho que não resultaria.

– Acho que vocês ficavam super bem juntos! Sério!

Depois do diálogo com ela, algo ecoou nas paredes do meu cérebro…

Eu nunca poderia dar-lhe mais que o meu amor.

Eu só poderia acordá-lo com um beijo.

Eu só poderia delinear um “amo-te” no seu pescoço.

Eu só poderia abraçá-lo durante a noite.

Eu só poderia oferecer-lhe a lua quando o céu está coberto de estrelas.

Eu só poderia oferecer-lhe os meus lábios, pois não teriam custo monetário.

Eu nunca poderia oferecer-lhe presentes caros, eu nunca nunca poderia levá-lo em grandes viagens, não poderia jantar com ele em grandes restaurantes nem sequer ir a jogos de futebol.

Mas poderia oferecer aquilo que de mais valor eu tenho, oferecer-lhe-ia o meu coração, todo ele. Poderíamos ir em belos passeios pelos parques, poderia cozinhar para ele todas as noites e convidar os seus amigos para assistirmos aos jogos lá em casa.

Sei que me encostaria à beirada da porta, a enxugar as mãos no pano de cozinha e a sorrir… A sorrir ao contemplá-lo gritando “Goloooo!”

Porque na verdade tudo o que tenho sou eu. Eu e ele.

Um “nós” inexistente e que jamais será real.

Como prosseguir sabendo que tenho partes de mim com ele?

Como prosseguir sabendo que nunca lhe poderei dar o melhor?

Eu daria tudo de mim.

Ouviria e calaria quando necessário fosse, enterraria os meus pés junto aos seus na rude areia da praia, apertaria a sua mão e beijaria todo o seu corpo receando que o mundo acabasse naquele momento.

No pensamento dele, uma rapariga que não faz parte do seu estereótipo nada tem para oferecer.

E eu sou essa rapariga!

Eu sou aquela que nada tem para oferecer, eu sou a que não faz parte do estereótipo.

Eu sou a que chora baixinho e ama em segredo.

Eu sou a rebelde com cara de anjo.

Eu sou a amargura por trás da felicidade.

Eu sou a bondade por trás da aspereza.

Eu sou a “amante” por trás da “boa amiga”.

Na verdade eu sou eu!

Sou da maneira que sou e apesar de saber que não vale a pena continuar a lutar eu não desistirei.

Posso ter todos os defeitos mas nunca serei a desistente.

Caí! Doeu? Sim, dói todos os dias.

Dói a cada minuto e segundo, mas o sorriso é imprescindível e se há algo que nunca me tirarão é o sorriso.

Penso em mim como “o tudo pelo nada apaixonado”.

PORSofia Sousa
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