Página de um diário perdida…

Uma adolescente de 15 anos completamente cega e iludida por um ser que apenas mostrava a sua melhor face. É assim que vejo esta mancha do passado.
Era tudo perfeito, ele era perfeito!

Aquele que seria um homem diferente, às direitas! Um homem capaz de me amar incondicionalmente, revelou-se.

Foram juras e promessas de amor. Acreditava eu que seria o Homem com quem passaria o resto dos meus dias… por tudo o que me dizia, por tudo o que me fazia sentir. ” És uma mulher especial”- dizia ele. E era assim mesmo que me sentia: ESPECIAL!

Até que chega o dia em que decide pôr um fim naquela que seria, de certa forma, a relação com que qualquer mulher sonha. Passados 4 meses chegou à conclusão que não era homem pra compromissos, que não se queria sentir preso a ninguém, queria apenas “curtir”! E assim foi: mais quatro meses de “curte”.

Ao fim de mais 4 meses cansei-me, caí na realidade! Não queria mais ser objeto nas mãos de um traste. Afastei-me, e assim fiquei…por longos e largos meses.

Sempre que tentava chegar à conversa comigo eu dava para trás, aquela menina romântica, sensível, sempre disposta a dar o braço a torcer tornou-se fria. Já não era a pessoa que tantas vezes lhe escreveu textos, ele próprio reconhecia. Custava! O sentimento continuava lá, embora “camuflado”. Ele insistia, persistia e chegou mesmo a implorar que fosse com ele pra cama. Chantageou: “nunca mais vais amar alguém como me amas”. “És a mulher certa, é contigo que eu quero perder a virgindade” .

Nesta altura estava eu prestes a fazer 17 e ele 18 anos. Nunca senti tanto medo, nunca me senti entre a espada e a parede. Parei por completo! Confesso: o mundo, para mim, tinha deixado de girar! Fiquei sem chão!

Por um lado eu tinha medo de realmente nunca mais encontrar alguém de quem gostasse assim tanto, por outro não era isso que eu queria. Não me sentia preparada, além do mais não queria ceder à chantagem. Ele estava a revelar-se alguém que eu desconhecia.
Recusei, disse que não queria nada com ele. E assim se ficaram as coisas. Já se tentou reaproximar, já falamos mas nunca sobre o assunto. Não sinto falta de esclarecer nada, aliás, não há nada para esclarecer. Ele foi claro com as suas atitudes, mostrou o seu lado que eu desconhecia.

Consegui sair por cima, no entanto temi. Temi que um dia me apanhasse e me fizesse algo de mal, algo contra a vontade. Sim, que me violasse! Passou várias vezes por mim, de carro inclusive. Tremia, o coração parecia sair pela boca, senti um turbilhão de sentimentos.

Não guardo mágoa nem rancor. Não lhe desejo mal, muito pelo contrário, mas… Aquele que seria um Príncipe virou um sapo.

PORAna Castro
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