Ouve-me…

Ouve-me…
Ouve o meu âmago que se reveste de sonhos, de intempestivas saudades,
Que colecciono neste quarto em que espero por ti, nesta cama que procura o teu cheiro,
O sentimento que me dás – em cada batimento que me faz viver em nós.

Ouve-me o peito, os gritos mudos que grito ao mundo, rompendo a distância,
Devolvendo-me o toque da tua pele na minha – na fantasia de sermos apenas um.

Ouve-me mesmo até nas palavras que não te digo, que te segredo em olhares,
Ouve-me nas mil vezes que te digo a palavra amo-te, e que te toco no peito.
E, por mais vezes que o céu encubra o nosso caminho, continuarei do teu lado,
Dizendo adeus a um ontem, a um passado ferido, a uma alma antes perdida pela dor.
Agora, sou alma viva, sou força maior, sou o sentimento expresso em nós.

E o mistério que explode em magia rara torna-se em talismãs puros,
Em duas respirações ofegantes, em desejos prazerosos, fantasiosos.

Sem ti a minha vida não é beijada em demasia, em loucuras sãs.
Por isso, apenas ouve-me, ouve o bater do meu coração,
Que é teu, desde o momento, que te encontrei.