Sobre os verdadeiros “chega!”

Dos verdadeiros “chega”. Is it weird?

Quantas vezes procuramos inspiração e conforto nas palavras. Há gente que escreve palavras de forma tão crua que nos põem a alma a nu. Que nos revelam. Que nos põem a carne arrepiada até à espinha. Procuramos nessas palavras, frases, imagens… resiliência, força, a solução da mensagem indecifrável. Procuramos amparo. E no entanto a vida permanece adiada. Até a próxima palavra, frase, texto, imagem. Que nos inspire, que nos devolva a respiração, que seja o balão de oxigénio que nos permita (sobre)viver mais um dia. Na esperança volátil de que amanhã e o(s) dia(s) seguinte(s), a vida se torna um pouco mais curta. Menos distante dos sonhos. Mais perto da promessa.

E no entanto, a pessoa esquece-se de se comprometer consigo mesma. De cumprir a promessa da sua própria vida. Esquecemo-nos que as palavras só nos levam até ao que nos é familiar, deixando em suspenso a imaginação.

Deixa de procurar nas portas dos fundos a fechadura desse teu mundo enclausurado.

A chave está em ti, porra!

Às vezes, o que precisamos é de alguém que chore por nós, que sinta algo por nós, que nos sinta. Que sinta quando nada mais parece restar para sentir. Quando não há mais nada senão “des-sentir” e desmentir a ausência de vida.

Às vezes, o que precisamos é de alguém que nos sorria, que nos toque para saber que estamos vivos. Que nos relembre o quão longe já conseguimos caminhar nesta vida, que o amor é a resposta que requer tempo. E quando descobrimos que o amor é antes de tudo perdão, o nosso coração encontra um novo alento. Acaba por transformar-se. Encontramos então uma fonte onde buscar uma nova vitalidade e confiança. E um coração decidido a amar pode irradiar uma bondade sem limites, fazendo com que a vida se encha de uma beleza serena. Amor gera amor.

Às vezes o que precisamos é ter a coragem. De nos exceder para renascer. De redesenhar as fronteiras de ser. De sair primeiro de nós próprios, atravessar portas e muros que erguemos e nos ergueram, e por fim respirar o mundo lá fora. O que quer que te acrescente e te faça sentir gigante. Ou te faça subtrair o que te retrai. Mas que acima de tudo, faça valer a pena teres saído.

Às vezes o que precisas é reentrar. Perceber o que nos vai na alma. Sair novamente.

Sem expectativas.

Sabendo que o coração será sempre o teu leme, a alma o teu farol, a vida o teu mar. 

Não tens tempo para sentir tristeza se a vida te pede para ser feliz. Dê por onde der.

A vida é demasiado curta para ir longe demais.