Os sorrisos dela!

Ela diz que preciso urgentemente consultar um oftalmologista toda vez que a chamo de linda. Eu digo que vou dar de presente a ela um espelho. Não sei explicar ou dizer ao certo o que, mas ela me encanta. Até na simplicidade dum vestido e cabelo com trança. O que ela causa em mim é diferente de tudo que já senti. E elogiar é apenas uma forma de externalizar tudo que sinto, colocar pra fora tudo que não cabe mais no peito.

Ainda não sei a quem agradecer por aquela quinta-feira. Que tinha tudo para ser como outra qualquer, até que tropecei no sorriso dela. E foi dos tropeços mais lindos que a vida me reservou. Se foi coisa do destino, Deus atendendo minha prece ou sorte, definitivamente não sei. O importante é que nossos caminhos se cruzaram. E agora que se cruzaram, que nossas vidas se enrosquem, feito nó cego, pra não desatar mais.

Mentalmente conto quantas horas faltam para encontra-la. Calculo também quanto tempo ficarei ao lado dela. E sempre chego à mesma conclusão: nunca é o bastante. Se pudesse, eu cederia alguns anos de vida para somar mais horas com ela. O que me resta é usar minhas habilidades teatrais para convencê-la de que, se ela for, sofrerei um ataque cardíaco. Nunca consigo o resultado almejado, mas sempre arranco algumas risadas dela.

De todos os sorrisos dela, três me derretem feito manteiga na frigideira. Tem aquele sincero, em que ela fecha os olhos, escancara um sorriso e abre um pouquinho a boca. O sorriso após o beijo, sem mostrar os dentes e com uma risadinha. E o que ela dá em silêncio, assim, do nada. E eu pergunto “que foi?” e ela diz “nada”.
Três sorrisos que viciam mais do que nutella. E é por estar viciado neles que sou um palhaço quando estou com ela.

Encontrei nela o que sempre procurei e jamais imaginei encontrar. E agora que encontrei não deixo escapar. Essa é uma das raras vezes que a vida lhe sorri, basta você retribuir.