Onde Estás?

Onde é que estás? Desapareceste? Evaporaste? Porque é que não te encontro?
Não me lembro de ter começado um jogo de escondidas contigo para te teres escondido tão bem.

Onde raio te enfiaste? A ti e a esse teu ego insuportável que eu adorava. Estou exausta, exausta de te procurar, exausta de tentar perceber. Já não aguento o cansaço, sinto-me fraca mesmo sendo tu o meu ponto forte.

Não se pode obrigar ninguém a ficar connosco para sempre mas, não consigo entender, como é que se toma uma decisão destas? Quanta frieza é preciso ter? Será parecida aquele frio que ficou pela casa depois que saíste? Não me interpretes mal, não quero que voltes, porque se foste embora é porque o teu lugar não era aqui ou comigo. Só queria que me explicasses com conseguiste sair sem avisar, tirar-me o chão sem me acordar.

Quão imune a sentimentos é preciso ser? Sempre te admirei por achar que eras transparente, que não conseguias esconder nada, mas de tão transparente que eras tornaste-te invisível e eu deixei de te conseguir ver.

Perdi-me quando foste embora, perdi-me de mim, deixei de me conhecer.
Se queres saber, hoje, ainda me sinto um bocado perdida, sem rumo. Deixei de fazer planos a longo prazo, comecei a viver um dia de cada vez. Sem expectativas não existem desilusões. O mais estranho de tudo não foi o teres partido, foi eu ter deixado de me conhecer quando o fizeste e isso incomoda, mói.

Por muito que queira voltar para mim, encontrar-me, voltar a ser a pessoa por quem, supostamente, te apaixonaste não consigo. Deixaste em mim um vazio tão grande que não consigo preenche-lo por nada e é-me cada vez mais difícil.

Parece que estou num buraco negro que cada vez se torna maior.
Onde estás? Desapareces?

PORAngela Pereira
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