Odeio-te, meu amor!

Por que é que sempre que tomamos uma atitude relativamente a questões do coração, convencidas que é desta que as coisas vão realmente deixar de fazer sentido na nossa vida, nos surge sempre uma razão para não o fazermos? Chega de só dares sinal de ti quando estou decidida a pôr um ponto final nesta minha incontrolável fome de ti. Queres tornar ainda mais difícil esta batalha que nem eu própria sei se consigo sair dela sem mazelas?

Se é um sinal? Duvido. Duvido como sempre duvidei que algum dia pudesses sair da tua zona de conforto e vires ter comigo, por simplesmente te apetecer. Vens quando te dá jeito, ou porque parece mal não o fazeres.

Se antes escrevia para te dizer o quanto te amava, hoje escrevo para te dizer o quanto te odeio. Sim, no presente do indicativo! Odeio-te por tudo o que, depois de anos e anos, continuas a significar para mim. Odeio-te por todas as vezes que chorei até adormecer, mesmo continuando a escrever-te com um sorriso. Odeio-te pelas razões mais estapafúrdias que possas imaginar e até pelas que não podes. Odeio-te simplesmente por saber que mesmo que eu queira – e é difícil, acredita – não te posso apagar assim de um momento para o outro como quem apaga o lápis do papel. E odeio-te mais ainda por não conseguir odiar-te!

“Podemos esperar muitos anos até conseguir passar por cima das coisas sem mágoa. Primeiro vem o esforço, depois o falso esquecimento. Seguem-se o rancor, a revolta, a sensação de impotência. Tantas vezes nos atiramos para os braços de outro homem, pensando que esse é o caminho mais curto para esquecer alguém, e tantas vezes esse é o caminho que se revela mais longo!”.

E, como em tantos outros momentos, o que temos a fazer é não nos deixarmos iludir pelo prazer da ilusão. Como se isso fosse fácil! Como se fosse fácil apagar a memória das nossas células, quando são elas que contam a maior parte da nossa história. Queremos tão rapidamente esquecer tudo aquilo que nos corrói o coração, que perdemos a noção que tudo o que acontece a essa velocidade, poucas ou nenhumas vezes é eficaz.

Odeio-te, meu amor.


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