Obsessão

"O amor é uma farsa e o sex0 disfarça..."

Oito meses depois perceberam que era tudo obsessão. Oito meses depois daquele amor aflito. Começaram por contar os dias, depois meses; não chegaram a um ano. Aos dezassete anos, enchem as almas de promessas, e perdem a virgindade juntos na primeira noite que se conhecem.

O sacrifício é a única prova de amor. O ciúme vem quando se encontra mais do que se procura. Os desconfiados desafiam a traição , diz Voltaire com toda a razão. O apego a tomar conta deles sem darem conta. Duas almas perdidas no nada, na ilusão. As ameaças tornam-se o prato do dia. De vez em quando zangam-se , precisam de um tempo. O sex0 a absolver todos os pecados – a bênção.

O amor é uma farsa e o sex0 disfarça.

Perde-se a conta às vezes que isso acontece. Os dois amantes a prometerem mudar (um fingimento que não dura mais que não miseráveis semanas). Tudo de novo, sempre assim. A vontade de seguir a invadir um deles.

O difícil não é partir, mas sim aceitar que o ser amado também o faça.

O ciúme nasce com o amor mas nem por isso morre com ele. Dois amantes a perderem quase tudo quando já perderam a cabeça. No meio disto tudo, desta intoxicação profunda, um deles encontra o limite, o imperdoável, ou então foge no primeiro metro sem destino porque finalmente reconheceu a necessidade de si mesmo.