Obrigado à Queima das Fitas, Obrigado a Coimbra!

(in “Um Dia Disseste que Eu Devia Escrever um Livro”, da autoria de Patrícia Rebelo, editora CapitalBooks)

Dizem que a primeira queima das fitas não se esquece. Que durante todo o percurso, a primeira será aquela que será recordada com mais saudade.

Posso afirmar que a primeira queima foi a mais marcante.
Posso não me lembrar de tudo, mas o maior sentimento está cá…

O peso da capa aos ombros, o sentimento de pertencer a algo diferente, o facto de estar contigo nesse momento tão importante para mim, o facto de me teres traçado a capa (foi mais importante que qualquer outra pessoa, porque foste tu a traçar).

Tu nunca ligaste a essas coisas. Praxes, traje, pasta e insígnias não faziam parte das coisas que ter iriam fazer mais feliz.

Mas eu e os teus amigos sabíamos que não poderias deixar passar em branco a tua queima de finalista.

Aquela em que se exibe com pompa e circunstância o traje académico e a bengala com a cartola das cores do curso e que vão sendo desfeitas ao longo do cortejo
por causas das bengaladas amigáveis.

Eu não podia deixar que não tivesses isso.
Lembro-me tão bem (para mim é uma memória recente, sabes?) de te convencer e espernear para veres o que estavas a perder e para te mostrar que valeria a pena.
Felizmente,amigos e colegas teus ajudaram-me a conseguir arrancar de ti a
possibilidade de usares o traje e a cartola no dia do cortejo.

A minha mãe sempre te quis dar uma prenda no fim do curso.
A ideia sempre foi um relógio. Daqueles de adulto que tivesse a correia em pele e o mostrador enorme e lindíssimo.

Porém, quando lhe falei que gostarias de usar o traje, ela disse que poderia ser essa a tua prenda de fim de curso.

Eu fiquei muito contente que até comecei aos saltinhos de tão feliz que estava. Isto aconteceu na sexta e no sábado rezamos para que estivessem as lojas abertas e que o teu tamanho existisse em tudo.

Foi complicado.
Numa loja existiam as calças, noutra a camisa, noutra o colete, depois a bengala
e a cartola e aquelas faixas de seda para pregar no traje. Corremos a cidade, mas no fim tínhamos tudo.

Sabes?
Há dias em que chegamos ao fim tão cansados, mas vale tanto a pena que nem nos importamos.
Eu estava verdadeiramente feliz.

Saber que ias à tua queima de finalista todo pipi porque tinhas o traje. Vieste ter comigo, tiramos fotografias, eu trajada com o fato académico a rigor na minha primeira queima e tu com o teu traje académico e devidamente equipado com a cartola e a bengala.

Fomos para o cortejo, subindo como todas as pessoas, para nos reunirmos ao
pé do jardim botânico da cidade.

Era a minha primeira queima, o meu primeiro cortejo, mas nem por um momento quis ir com o meu curso. Para mim fazia mais sentido passar junto a ti, na tua queima de finalista.

A partir daqui não sei mais nada, o teco levou-me da memória todo o cortejo, toda a queima e tudo o resto.

Restou apenas uma fotografia tirada junto ao jardim botânico. Tu de cartola a abraçares-me com um sorriso e eu envolvida no teu abraço, toda sorridente.
Este ano coloco fitas, aquelas em que as pessoas que mais gostamos escrevem coisas sobre nós.

Há uma que vou deixar vazia (já seria de esperar, não é?).
Pode ser que um dia deixes a tua dedicatória nela.
Um dia, sabes?
No mesmo dia em que deixares a tua dedicatória no meu álbum de fotografias
e recordações académicas.

Agradeço a Coimbra por me ter deixado partilhar a minha primeira queima contigo. Agradeço a Coimbra por ter ficado tão contente com isso e o orgulho que senti. Agradeço a Coimbra por, antes ainda de sermos adultos, nos termos apaixonado.

Eu tenho esperança de que pertenças à minha última queima.
Que a marques com a tua presença e as tuas dedicatórias.
Não faz mal sonhar, sabes?

A esperança é algo que nos move.
Obrigado a Coimbra.
Obrigado a ti.
Obrigado, principalmente, a nós.

PORPatricia Rebelo
Partilhar é cuidar!

PELA WEB

Loading...