Obrigado por existires!

Olá meu amor, já sinto saudades tuas e ainda passou tão pouco tempo. Dói-me a tua ausência. Sinto-me sufocar com esta bola na garganta que nem a saliva me deixa engolir. Por momentos senti-me desesperada. Toda eu era tua, e agora partis-te e levaste-me contigo. Eu quero-te comigo! Sou um pedaço de carne vazio, vivo porque respiro, e até isso me dói.

Era a tua bebé, cuidavas de mim, penteavas-me, davas-me banho e agora? Todo o lugar me lembra a tua ausência, sinto-me um corpo estranho na terra! Estavas-me no sangue, eu estava no teu, agora apenas resta a minha metade.

Não quero morrer, não seria o mesmo. Não te sentiria comigo, não sentiria as tuas lágrimas na despedida, nem o teu perfume que emanava constante em mim.

Uma ovelha fora do rebanho. Como posso eu amar irrevogavelmente um cadáver?

O meu amor é um cadáver!

Mora debaixo da terra.

Beija-me nos sonhos.

Amei-te ontem.

Amo-te hoje.

Amar-te-ei amanha e eternamente, e sabes porquê? Porque estás tão entranhado na minha carne que é impossível ver onde acabas tu e começo eu. Nunca rejeitarei a dor, ela lembrar-me-á todos os dias da tua passagem na terra, e da tua existência na minha vida.

Obrigado por existires!

PORPatricia Domingos
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