O último “Amo-te”…

Ele já tinha escrito tudo, todas as vírgulas nos espaços corretos, todos os espaços completos por palavras sentidas, queria tanto enviar… e enviou.

A mensagem começava assim:

“ Olá, meu amor, amo-te! Amo-te agora, depois e depois de muitos depois!

Sei que é cedo, mas preciso tanto de um abraço teu, daqueles beijos que aumentam a minha pulsação, das tuas mãos a tocar-me suavemente, das tuas palavras que se transformam em tudo… Vem, eu espero-te aqui, porque não vou a lado nenhum sem ti ”

Passado um tempo, uns poucos minutos, ela apareceu, beijou-lhe o rosto, abraçaram-se em tempos, amaram-se umas horas.

Quando ela se estava a despedir, ele entregou-lhe uma carta, e disse-lhe para que ela a abrisse quando chegasse a casa, que a lesse calmamente, sabendo que a ia amar para sempre!

Passado um tempo, uns poucos minutos, após uma corrida afundada em curiosidade, ela sentou-se, respirou profundamente e leu a carta:

“Bem,

Não queria que fosse assim, com esta distância horrenda, com uma caneta na mão e um aperto no coração que, a todos os momentos que te imagino ou que te vejo se apaixona.

És alguém tão puro, que me mostra as melhores virtudes da vida, os melhores sorrisos, as melhores lágrimas. Quem seria eu sem os nossos mundos que se completam a cada dia que te amo, a cada noite que te dispo?

Tento decifrar-te ao pormenor, escrever-te em palavras, fotografar-te em tudo, calcular-te em qualquer lado, o quanto és perfeita para seres um problema de todas as ciências.

És tu, que suscita o mundo e todos, que me atrai com toda essa particularidade, que me desafia a cada segundo e que eu amo incessantemente.

É complicado desfazer-me deste amor físico, deste amor que se prolonga mas que já partiu. Desculpa por todas as parvoíces que disse, por todas as vezes que querias ver o Titanic e eu queria jogar FIFA, por todas as noites de amor que não gostastes, por todos os jantares românticos comprados no MC, por todas as idealizações que nos levavam a debates e que tu sempre ganhavas (o quanto eu te amo miúda) … Desculpa por ser um idiota, que está perdidamente apaixonado por ti!

O amor prolonga-se mas a vida acaba… E se já não sou útil cá, sei bem que, serei útil nas tuas memórias, nas tuas primeiras lágrimas ao lerem esta carta. O nosso fim chegou (calma, não chores, há um começo em nós, nos teus sonhos, nos teus pensamentos, respira fundo…), porque a vida tem destas coisas, porque a vida é mais bonita assim…

Eu sei bem que podia continuar aqui a escrever-te, a relembrar-nos, a amar-te, mas a fraqueza aumenta e já vejo a paragem que me leva para o outro lado. A minha caminhada está a terminar.

Não te preocupes, eu vou bem, eu vou feliz. Agora, não chores, não queimes as nossas fotos, guarda tudo o que é nosso, cumpre os teus sonhos, sê feliz e encontra outro homem que te ame tanto como eu…

Sem mais nada sem ser amar-te,

Do teu e para sempre teu amor. ”

E ali toda ela parou, todo aquele amor se transformou em nostalgia, ele em qualquer lugar, ela aqui…

Porque o amor verdadeiro não tem fim… só que a vida tem!

PORMariana F.
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