O teu toque ainda está no meu corpo…

Hoje olhei para ti ao acordar. Já não estavas na minha cama, ao meu lado. Já não me aquecias, nem me acordavas com um beijo, mas eu vi a nossa foto ao lado daquela que era a nossa cama. Ainda não a consegui tirar de lá desde que tudo acabou. Nem sei quando o vou fazer.

Ao abrir os olhos tentei fazer aquilo que todos dizem para fazer: sorrir, levantar e recomeçar. É um dia novo, um começo novo. Eu fiz. Eu fui. Coloquei música alto. Ela ia fazer com que não ouvisse os meus pensamentos. Ela ia tirar a tua voz, o teu sorriso da minha cabeça.

O teu cheiro ainda está pela casa. O teu toque ainda está no meu corpo. A nossa vida ainda mora nestas paredes e eu não sei como cumprir todos os conselhos que me deram.
Saí de casa para fazer o meu dia começar. Porém, por cada canto que passava tu estavas lá. Foram tantos momentos vividos nestas ruas. Tantos momentos, recordações, promessas. Tudo morreu para ti, eu sei. Mas para mim? Será que ainda te importas com aquilo que sinto mesmo depois de tudo? Será que te importas como fazias antes de tudo começar?

Ao virar-me para o lado e encarar o lugar onde estivemos centenas de vezes, pergunto-me se já lá estiveste depois do fim.

Sentei-me na beira da rua, em frente à tua casa. O meu coração palpitou. O peito doeu. As pessoas questionavam-se se eu era maluca para aqui estar num dia de chuva.

Ali estavas tu, depois de algum tempo. Estavas a refazer a tua vida. Tinhas um sorriso na cara. Despreocupado, natural. Não estavas magoado. Olhaste para mim. Não sei como descrever a tua reação. Cerraste os lábios e continuaste a andar. Fechei os olhos. Engoli o choro e deixei passar, porque afinal quem deixa de amar não sente mais, e eu ainda sinto porque eu ainda te amo. Ainda te sinto. E um arrepio passa por mim como se fossem os teus braços a agarrar-me.

Um arrepio passou por mim e eu perguntei-me como poderei recomeçar como tu fizeste. Como poderei esquecer que tu estiveste na minha vida e agora tudo é uma memória.
Agora, questiono-me, como é que foi esquecer-me. Como é que foi deixar o vento levar o sentimento mais forte.

PORJoana Nunes
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