O tempo que me pertencia, que te pertencia, que nos pertencia.

Lá vai o tempo em que o tempo era tempo. Em que o tempo era beijos largados numa noite cerrada, que metíamos a mão no bolso e saíam abraços apertados, dedos entrelaçados. Em que o tempo me levava a ti, sim a ti, que percorrias todo o meu corpo e sentias à flor da pele o sabor do meu ser.

Lá vai o tempo em que a saudade era isso mesmo. Tempo. O tempo que me pertencia, que te pertencia, que nos pertencia. Esse tempo que numa esplanada de café nos fazia trocar beijos longos e apertos de mãos quentes, que nos fazia lançar palavras suaves e bonitas e assim ficávamos, perdidos no tempo. E esse tempo em que nos perdíamos já lá vai. Já nada nos pertence a não ser o tempo onde se diluiu o nosso passado.

Lá vai o tempo em que o tempo era tempo. Em que o tempo era o amor pronunciado na areia, onde o mar se sobrepunha e levava todo esse amor consigo. O nosso tempo fugiu ao amor e o amor ao tempo. E hoje pergunto-me se esse tempo te vai trazer novamente a mim. Ao amor. Se voltas a trazer a tua guitarra para o nosso jardim e se o tempo vai soar tão bem como o toque dos teus dedos nas cordas.

Hoje pergunto-me quanto tempo será necessário para saberes que o tempo passa, e o amor passa também.


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